A arte da construção dos muros em pedra seca no Maciço Calcário de Sicó foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), informou hoje a associação Terras de Sicó.
Segundo um comunicado do Património Cultural enviado à Lusa pela Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento, a Arte da construção dos muros em pedra seca no Maciço Calcário de Sicó “integra-se no âmbito de processos e técnicas tradicionais, na categoria ‘Arquitetura e Construção’”.
A associação acrescenta que esta decisão é “um incentivo para se avançar com a candidatura da “arte de construção dos muros de pedra seca” a Património Cultural Imaterial da UNESCO.
“Esta manifestação cultural, que se realiza durante todo o ano, consiste na construção manual de muros com pedra calcária, na região de Sicó-Alvaiázere, abrangendo os distritos de Leiria e de Coimbra”, acrescenta a informação.
A inscrição foi efetuada pelo despacho de 01 de abril de 2026, assinado pelo presidente do Conselho Diretivo, João Soalheiro, e publicado no dia 03 de junho em Diário da República.
Esta decisão “reconhece a sua importância enquanto reflexo da identidade da comunidade envolvente, assim como os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu, nomeadamente a transmissão intergeracional no contexto familiar e social, através de observação direta, oralidade e prática”.
É destacado o “envolvimento da comunidade na realização dos muros, sem recurso a qualquer processo de transformação para além do saber-artesanal e do domínio técnico inerente da justaposição, bem como do processo de extração das pedras do Maciço calcário”.
A nota de imprensa explica que esta é uma “técnica de construção ancestral executada manualmente por mestres, ou ‘pedreiros’ que dominam a arte”.
“A construção consiste na justaposição manual de pedras cujo encaixe entre si garante o travamento e a estabilidade de muros de pedra solta, sem recurso a argamassas de ligação, ainda que alguns muros incluam argamassa nas juntas, sem desvirtuar a técnica construtiva artesanal”, lê-se ainda.
O Património Cultural adianta que “estes muros podem ter a função de parede de uma estrutura edificada, ou servir como elemento de divisão ou de suporte de terrenos”.
Os muros são “erguidos com blocos de pedra calcária com uma diversidade de dimensões e formas”.
“A pedra calcária é recolhida em escarpas e afloramentos no Maciço calcário da região de Sicó, ou em maciços com alguma proximidade geográfica (como o Maciço calcário Estremenho) por profissionais de indústrias extrativas, ou por indivíduos familiarizados com a atividade”, informa.
A matéria-prima é depois preparada e aplicada manualmente na construção artesanal de obras novas e na reabilitação de estruturas preexistentes.
Segundo o Património Cultural, esta técnica de construção artesanal tem vindo a evoluir. “O saber-fazer permanece ativo, mas com uma linguagem contemporânea.”
“A manifestação da arte da construção de muros de pedra seca (calcário) é indissociável do território, onde a mesma se desenvolve, o Maciço de Sicó, dando corpo à expressão de prática cultural integrada na paisagem. O Maciço de Sicó é um sistema cársico, integrado nas serras calcárias de Condeixa-Sicó-Alvaiázere”, refere.
A Terras de Sicó considera que este é um “passo decisivo para garantir a salvaguarda desta prática cultural no território abrangido pela inventariação através da concretização das medidas apresentadas em proposta de inventariação”.
O cumprimento deste novo desafio passará pelo envolvimento de outros territórios, nomeadamente aqueles inscritos na área do Maciço Calcário Estremenho numa candidatura conjunta.
A Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó reúne os municípios de Condeixa-a-Nova, Penela e Soure, no distrito de Coimbra, e Alvaiázere, Ansião e Pombal, no distrito de Leiria.











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