Castelo Branco

Projetos de eletrificação e digitalização da floresta apresentados em Penamacor

0

 O consórcio que desenvolveu os projetos de eletrificação e digitalização da floresta, integrados na Agenda transForm, apresentou hoje, em Penamacor, no distrito de Castelo Branco, soluções inovadoras que visam aumentar a sustentabilidade do setor da floresta.

O projeto Floresta 4.0 e o projeto de Motorização Elétrica, desenvolvidos com apoio financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apresentaram no terreno várias ferramentas que, no futuro, vão permitir não só ajudar a agilizar os trabalhos na floresta, como reduzir a utilização de combustíveis fósseis, com ganhos em termos de sustentabilidade e ambiente.

Um robô de limpeza da floresta e combate a incêndios ou uma tesoura para seleção de varas, que pretende ultrapassar a limitação atual das ferramentas de corte existentes no mercado, desenvolvidas em Portugal, fizeram parte da demonstração.

Também foram apresentados equipamentos elétricos com motorização de colheita e transporte de madeira, ferramentas totalmente elétricas, uma aplicação de gestão florestal e, para ajudar a que muitos destes equipamentos funcionem no terreno, estava no apoio uma estação móvel de transformação de tensão, a “Speed-e”, que carrega baterias de maquinaria florestal, ferramentas elétricas de pequeno porte, camiões e viaturas elétricos.

Com o “Speed-e”, evita-se “que tenham de ser levados para o terreno geradores de grande porte e dispendiosos”.

Sendo uma unidade móvel, “liga-se à alta tensão do local onde é necessário. Hoje, em Penamacor, ligou-se à rede de alta tensão, mas se amanhã for para a Guarda, faz-se lá uma ligação local”, explicou à agência Lusa Alexandra Marques, representante do CoLab FOrestwise, que trabalha no âmbito da gestão integrada da floresta e dos fogos rurais e que assume a direção técnica da Agenda transForm.

“No que diz respeito à digitalização das operações florestais, há que ter em conta, por um lado, o equipamento em si, e o poder ser ele próprio a recolher dados digitais, mas, por outro, a componente elétrica, em vez do uso de combustíveis fósseis”, referiu.

As ferramentas apresentadas já saíram do papel e já estão materializadas, a generalização do seu uso ainda não será de imediato, mas o objetivo é o de que as máquinas e ferramentas usadas no trabalho florestal sejam substituídas, gradualmente, por equipamentos elétricos.

Nas grandes máquinas florestais, “começam a surgir fabricantes que já têm soluções elétricas ou híbridas e são soluções que podem operar em Portugal”.

Quanto às aplicações mais específicas, “também há a capacidade para fazer investigação e para desenvolver os equipamentos cá dentro, no país”.

Neste contexto, também se insere o robô autónomo para limpeza da floresta e combate a incêndios: “Estamos a falar de um projeto-piloto, que prova que é possível ter um equipamento autónomo, que faz recolha de combustível num ambiente florestal, ligado à prevenção florestal”, explicou Alexandra Marques, ressalvando que, “depois, o robô tem a possibilidade de acoplar dispositivos que possam ser úteis num contexto de incêndio”.

“Cada vez mais a legislação nacional e também europeia coloca restrições ao nível ambiental e ao nível social, e é importante encontrar mecanismos, como este da digitalização e da eletrificação, que tornem mais evidente o nosso cumprimento dessas metas”.

A Agenda transForm, apoiada com 129 milhões de euros do PRR para desenvolver 30 projetos distintos, entre os quais os dois apresentados em Penamacor, envolve 56 parceiros representativos de toda a cadeia de valor florestal e está focada na transformação digital, resiliência e neutralidade carbónica do setor florestal português.

O consórcio dos projetos de Eletrificação e Digitalização da Floresta é constituído pela ForestWise, REN, The Navigator Company, NOS, Altri Florestal, Florecha, Sonae Arauco, Unimadeiras, Trigger Systems, INESC TEC, ADAI (Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial) e Neadvance.

Notícias do Centro | Lusa

Laura Pergolizzi encerra AgitÁgueda

Notícia anterior

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados