“Indústria” é um projeto de criação artística comunitária que levou a companhia Mundo em Reboliço a “mudar-se” para Oliveira de Azeméis onde, durante alguns dias, fez do território oliveirense um espaço de pesquisa, de descoberta sobre a indústria secular do vidro, de recolha de testemunhos, de histórias, de partilha de vidas, de confidências, de sons, de memórias coletivas, de estímulos sensoriais, bem como a vontade de conhecer os protagonistas da indústria vidreira, quais as empresas que laboraram no passado e quais as ferramentas usadas.
Todo este trabalho de pesquisa e interação com artesãos do vidro e agentes locais resultará no espetáculo “Indústria”, centrado na atividade vidreira, marcado para o dia 19 de abril, no TeMA – Teatro Municipal de Oliveira de Azeméis. A coreografia faz, através da dança e da música, uma abordagem à indústria do vidro, um setor tradicional que, durante cinco séculos, caraterizou a indústria oliveirense, empregando milhares de pessoas.
A conceção do espetáculo procurou perceber algumas das dinâmicas do território não só ao nível do vidro como do tecido associativo tendo envolvido contactos com empresas e figuras locais: mestre vidreiro Alfredo Morgado, Rui Conde, cineasta Matos Barbosa, Confraria Papas de São Miguel, Confraria do Arroz e Sabores de Azeméis, empresa Simoldes, Banda de Música de Loureiro, agrupamento de escolas Dr. Ferreira da Silva e Escola de Dança Meia Ponta.
O projeto “Indústria” nasceu em 2024 na Marinha Grande com o espetáculo “De Vidro e Mar” estendendo-se, agora, a Oliveira de Azeméis, mas adaptado à realidade do seu território.
Além dos profissionais da Associação “Mundo em Reboliço”, o espetáculo terá a participação, por exemplo, de músicos locais e elementos da uma escola de dança local. “É um espetáculo de e para a comunidade”, refere a vereadora da cultura, Ana Filipa Oliveira.
O evento cruza dança, música e memórias sendo objetivo envolver elementos da comunidade local, fazendo-os participar em alguns momentos da coreografia.
O espetáculo terá uma componente exterior, iniciando-se com uma espécie de caminhada, com partida de um espaço simbólico da cidade e seguindo um percurso até ao TeMA com o envolvimento da comunidade que participará no espetáculo.
Para Luís Portugal, responsável pela programação cultural do município, “o espetáculo ‘Indústria’ insere-se na política da autarquia em democratizar a cultura através do acesso dos cidadãos às diferentes manifestações artísticas, da captação de públicos e da sensibilização da comunidade para participar nos eventos”.
A coreógrafa Filipa Francisco reforça essa ideia: o espetáculo “dialoga diretamente com uma política de democratização da cultura e com a vontade do município de levar espetáculos a diferentes públicos e de criar condições para que as pessoas participem nos processos artísticos, reconheçam as suas histórias na criação contemporânea e sintam que a cultura lhes pertence”.
Alguns projetos têm procurado envolver a comunidade democratizando a manifestação artística. É o caso do projeto “TeMA na Rua” que envolveu atores e o comércio do centro da cidade, permitindo dar a conhecer à comunidade histórias e dinâmicas sobre alguns estabelecimentos comerciais.
Outro exemplo foi o projeto “Cantares de Esperança”. A ideia é, agora, levar esse espetáculo às freguesias, numa clara política de descentralização cultural.
Segundo a vereadora Ana Filipa Oliveira, “este tipo de dinâmica e de envolvimento comunitário prosseguirá ao nível da oferta e da criação de hábitos culturais junto do público. Para conseguir este objetivo, a autarquia conta com a disponibilidade dos agentes culturais locais sempre que lhes é solicitada a sua participação e colaboração na produção e apresentação de criações artísticas sobre diferentes áreas”.
Da coreografia “o público pode esperar uma experiência sensível e próxima” pois trata-se de “um espetáculo que fala do trabalho, da transformação das matérias, mas também da transformação das pessoas e dos territórios”, realça a coreógrafa Filipa Francisco.
Os bilhetes podem ser adquiridos no TeMA, plataforma ticketline ou Atendimento ao Munícipe.












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