Para assinalar os 140 anos do nascimento do escritor Aquilino Ribeiro a Associação de Teatro e Outras Artes (ASTA) estreia no sábado, às 21:30, no Teatro Clube de Alpedrinha, concelho do Fundão, a peça “Sede”.
A peça de teatro visual volta a ser apresentada na mesma sala no domingo, às 17:00, e até ao final do ano está previsto subir ao palco em Évora (04 de outubro), Covilhã (16 de outubro), Serpa (14 de novembro), Sintra (06 de dezembro) e Fundão, em data a anunciar, segundo o produtor da ASTA, Rui Pires.
O trabalho é inspirado no livro “Aldeia: terra, gente e bichos”, obra que o encenador, o francês Patrick Murys, considerou ser “muito rica” e que “transmite tanto literatura, como filosofia, ecologia ou pensamento político”.
O principal desafio, segundo Patrick Murys, foi perceber a obra, para depois se “distanciar dela” e criar uma abordagem própria.
“É uma linguagem de teatro visual, teatro físico. Não há palavras. E é dada muita importância ao trabalho dos objetos”, adiantou o encenador, em declarações à agência Lusa, antes da estreia, em Alpedrinha, Fundão (distrito de Castelo Branco).
Segundo Patrick Murys, a riqueza do texto original permite abranger várias temáticas e afirmou ter-lhe provocado “muitas sensações”, que quis partilhar com o público, através de uma fábula.
Protagonizada pelas atrizes Carmo Teixeira e Bárbara Soares, a peça chama-se “Sede” e o criador frisou que esse nome é metafórico e pode ter vários significados.
A história tem como ponto de partida “duas mulheres que estão à procura de um sítio para renascer, para reviver, que estão à procura de um local com água”, mas que, através da imagem e da interpretação, pode sugerir no espetador outro tipo de necessidades vitais e questionar qual a sede de cada um individualmente, de uma aldeia ou de um país.
“Criámos um teatro mais poético. Cada espetador pode ter a sua interpretação. Não há uma mensagem. Falamos da seca, falamos da água, falamos do tempo que passa, falamos de solidariedade, mas falamos sempre com imagens, não há nenhuma palavra”, revelou à agência Lusa o encenador.
A opção por esta estética, enfatizou, permite “tornar a peça mais universal, tocar pessoas de horizontes diferentes, de culturas diferentes, tenta abrir ao máximo possibilidades”.
Patrick Murys vincou “o sentido crítico” encontrado na obra de Aquilino Ribeiro (1885–1963) e destacou que o autor, que escreveu também “Terras do Demo”, era alguém que “acreditava no ser humano” e “acreditava que o futuro pode ser melhor”.
A peça tem a duração de 50 minutos e tem coprodução de A Moagem – Cidade do Engenho e das Artes e da Câmara do Fundão.
A ASTA é uma companhia com sede na Covilhã, distrito de Castelo Branco.













Comentários