Dezoito reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens levam à cena, no dia 30 de maio, “Até as pedras precisam de raízes”, nova produção de “Ópera na Prisão” inspirada no mito de Sísifo, anunciou hoje a organização.
A micro-ópera tem como cenário uma estação rodoviária onde se misturam histórias criadas pelos participantes reclusos e seus amigos e familiares, acrescenta a Sociedade Artística Musical dos Pousos (SAMP), de Leiria, responsável pelo projeto “Ópera na Prisão”.
O espetáculo aborda “a pertinência de partir ou ficar, de fazer e repetir o mesmo caminho, ainda sabendo o desfecho do mesmo”, antecipa o coordenador, em comunicado da SAMP.
“Será que a pedra volta a rolar a montanha abaixo por causa da gravidade, ou porque a pedra sabe que o seu sítio é na base e não no pico?”, afirma David Ramy, evocando o mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenada a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha.
“Até as pedras precisam de raízes” está integrado na segunda edição da iniciativa PARTIS & Art for Change, “Ópera na Prisão – Mozart ON”, organizado em parceria pela SAMP e o Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens (EPL-J).
De acordo com David Ramy, o projeto pretende “mostrar ao público a capacitação que tem sido feita junto dos participantes reclusos para que estes atinjam o objetivo proposto: gerir autonomamente o Pavilhão Mozart – Centro de Artes Performativas do EPL-J”.
Além da participação dos 18 reclusos, o espetáculo tem libreto de Paulo Kellerman, composição de João Santos e Tiago Santos, imagem de Joaquim Dâmaso.
Do elenco da micro-ópera fazem ainda parte os cantores profissionais Carolina Morán (soprano) e Nuno Mendes (barítono).
O público interessado em assistir à estreia do espetáculo deve entrar em contacto com a SAMP através do ’email’ producao@samp.pt, até ao dia 20 de maio, indicando nome completo, número do Cartão do Cidadão, matrícula da viatura e contacto telefónico.
“Ópera na Prisão” é desenvolvido pela SAMP desde 2004, primeiro no Estabelecimento Prisional de Leiria, tendo, em 2014, entrado pela primeira vez na prisão destinada a jovens.
O EPL-J destina-se ao internamento de reclusos jovens adultos dos 16 aos 21 anos, com possibilidade de permanência até aos 25 anos, segundo o sítio na internet da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.













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