Dois bairros da Covilhã vão ser alvo da intervenção de um projeto que pretende ouvir as opiniões de quem habitualmente está afastado da participação pública, para que façam diagnósticos e proponham soluções para o território.
A intenção do “Nós vamos!” é chegar, através de iniciativas informais e de proximidade, aos cidadãos que não têm naturalmente uma participação cívica, para auscultar as suas preocupações e envolvê-las na discussão dos problemas, na definição de prioridades e no desenho de estratégias para implementar ideias.
Dinamizado pela cooperativa de intervenção social Coolabora, em parceria com a Câmara da Covilhã, a Universidade da Beira Interior (UBI) e duas coletividades muito enraizadas em cada um dos bairros, que pretendem envolver todas as associações e entidades locais, de escolas a clubes, o projeto tem a ambição de criar uma metodologia que possa depois ser replicada em outros sítios.
“O objetivo é abrir o leque de possibilidades de escuta de vozes que de outra forma não se iam fazer ouvir”, numa lógica de enriquecimento da participação cívica e de ativação da participação cívica, frisou o presidente da Coolabora, André Barata, durante a apresentação do “Nós vamos!”.
Segundo a diretora executiva da cooperativa de intervenção social, Graça Rojão, o projeto, com um financiamento de 30 mil euros da Fundação Calouste Gulbenkian e um dos sete selecionados entre 140 candidaturas, é experimental, tem a duração de um ano e vai funcionar nas duas comunidades até maio de 2025.
O Bairro de Santo António e o Bairro dos Penedos Altos, ambos periféricos, foram os escolhidos, por apresentarem configurações e morfologias distintas.
Durante a intervenção vai ser testada a forma de aumentar a participação em processos colaborativos, chegar às pessoas mais ausentes, coordenar recursos com os vários parceiros e criar uma ferramenta metodológica que possa ser utilizada em outros locais com o mesmo propósito, referiu Graça Rojão.
“A essência do projeto é estar mais próximo desses cidadãos que normalmente não se fazem ouvir, encontrar outras formas de auscultar, inovar nas formas de auscultar”, reforçou André Barata.
Graça Rojão explicou que se vai tentar chegar a todas as faixas etárias e pessoas com os mais diferentes perfis, nomeadamente crianças, idosos ou migrantes, porque “há setores da sociedade que dificilmente conseguem intervir”, por várias razões, na esfera pública, e “afastam-se dos lugares de fala do espaço público”.
Se há quem não esteja predisposto a falar numa assembleia, a representante da Liga dos Amigos dos Penedos Altos dá como exemplo fazer uma caminhada “pelo território real”, para, em ambiente informal, identificar lacunas e posteriormente elaborar propostas criativas.
O vereador com o pelouro do associativismo da Câmara da Covilhã, José Miguel Oliveira, enalteceu as formas alternativas de potenciar a participação dos munícipes, para que ajudem a apontar caminhos e a encontrar possíveis soluções.
“Temos de pensar em novas formas de ir ao encontro dos nossos cidadãos, de aproximar os cidadãos dos interlocutores”, acentuou o autarca da Covilhã, no distrito de Castelo Branco.
A representante da UBI Ana Margarida Ferreira explicou que esta instituição pode contribuir com apoio e conhecimento, assim como com a experiência científica e metodológica para ajudar a abrir horizontes.
O projeto “Nós vamos!” foi financiado no âmbito do concurso “Participação cívica”, que escolheu sete propostas no país para experimentar metodologias de promoção da cidadania e da literacia democrática.











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