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 Chega contra painéis fotovoltaicos na albufeira do Cabril

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A suspensão da instalação de painéis fotovoltaicos flutuantes no rio Zêzere, na zona da albufeira da barragem do Cabril, em Pedrógão Grande, é defendida pelo partido Chega e por uma petição pública em curso.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o presidente da comissão política distrital de Leiria e deputado do Chega, Luís Paulo Fernandes, considerou imperativo que o Governo suspenda de imediato “projetos que colocam em causa o socorro e aumentam o risco aos portugueses”.

Na nota, Luís Paulo Fernandes observou que a barragem do Cabril, cuja albufeira faz fronteira entre os municípios de Pedrógão Grande (Leiria) e da Sertã (Castelo Branco), é “realmente importante para a proteção civil [por ser um dos locais de reabastecimento de meios aéreos naquela zona], ecossistema e ambiente”.

O deputado e dirigente partidário repudiou ainda o adiamento potestativo do PSD “para não se decidir à admissão de um requerimento interposto pelo Chega na comissão de Ambiente e Energia, para audição de entidades, referente à estação fotovoltaica flutuante já concessionada para a barragem do Cabril”.

Luís Paulo Fernandes lembrou ainda que municípios de Pedrógão Grande e Sertã, bem como associações, clubes e cidadãos, estão “unanimemente contra” o projeto fotovoltaico flutuante, frisando que os portugueses residentes no interior do país “precisam de tranquilidade”.

Já uma petição pública em curso, dirigida ao presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, e à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, também se manifesta contra a instalação de painéis fotovoltaicos sobre a água em Pedrógão Grande (Rio Zêzere e Unhais), abrangendo uma área prevista de cerca de 35 hectares, classificando-a de “crime ambiental e paisagístico”.

A petição, que contava na tarde de hoje com 704 assinaturas, pede aos dois destinatários que intervenham para “proteger a paisagem natural desta zona, assim como evitar a sua descaracterização através de uma instalação com elevado impacto de uma área turística nacional de excelência”.

Os signatários lembram que aquela é uma zona de lazer, utilizada pelos cidadãos para a realização de atividades náuticas ou passeios e caminhadas na natureza, argumentando que a instalação do parque de painéis fotovoltaicos flutuante “eliminará o fator de atratividade desta área assim como todo o seu potencial turístico”.

Publicitada de diversas formas, inclusive em painéis de grandes dimensões instalados em Pedrógão Grande – concelho que irá receber, com Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, as comemorações nacionais do 10 de Junho – o texto da petição sustenta que o projeto “deixa adicionalmente muitas questões sobre o impacto ambiental, no que diz respeito ao aquecimento anormal das águas daquele rio e impacto na biodiversidade”.

Ainda no comunicado do Chega, o partido louvou a iniciativa presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa em comemorar o Dia de Portugal nos três concelhos do interior norte do distrito de Leiria, frisando que “é com iniciativas nobres ao mais alto nível que se promove a publicidade da carência destes territórios”.

No entanto, o deputado Luís Paulo Fernandes, que é natural de Pedrógão Grande, manifestou insatisfação que a iniciativa seja promovida “durante uma importante campanha eleitoral com especial relevância no dia de reflexão e no dia exato [9 de junho, próximo domingo] de eleições” [europeias]”.

“É importante hastear a bandeira portuguesa junto ao memorial dos incêndios, mas, em nossa opinião, a mais elevada honra seria no dia 17 de junho, data relevante da tragédia e nunca em dia de eleições, que também não é o Dia de Portugal”, argumentou o dirigente do Chega.

Os incêndios que eclodiram em Pedrógão Grande a 17 de junho de 2017, há sete anos, provocaram 66 mortos e mais de 250 feridos, além da destruição de 500 casas, 50 empresas e milhares de hectares de floresta.

 

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