A 23.ª edição do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira apresentará 41 espetáculos de 23 a 26 de maio, com um orçamento de meio milhão de euros apostado em evocar a Liberdade.
A direção do evento organizado pela referida autarquia do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto anunciou hoje que pelos 15 palcos distribuídos por salas, praças e outros espaços públicos da cidade vão passar 41 companhias de 12 nacionalidades, o que irá envolver 190 artistas, num total de 144 exibições e 130 horas de conteúdos.
Para Amadeu Albergaria, presidente da Câmara Municipal da Feira, essa oferta consolida o papel da cultura enquanto “fator de regeneração urbana que muitas vezes não é sublinhado” e afirma-a como “motor do desenvolvimento social”, especialmente num concelho cujos 140.000 habitantes revelam uma crescente ligação ao festival, seja na condição de espectadores, de voluntários ou até de protagonistas em performances comunitárias.
“Somos uma terra de operários que decidiram fazer da cultura um mote do desenvolvimento do seu concelho e esta é a mais bela homenagem que se pode prestar aos 50 anos do 25 de Abril”, defendeu Amadeu Albergaria.
O vereador da Cultura, Gil Ferreira, salientou que, na edição de 2024, “a liberdade é abordada em todos os conteúdos da programação”, pelo que o cartaz do festival – absorvendo 215.000 euros do orçamento global do evento – tem uma linha “ousada, provocatória, participativa e transformadora, e, sobretudo, democrática”.
Diferentes registos artísticos vão assim explorar os conceitos de “liberdade individual e coletiva, artística e criativa, cultural e religiosa, de pensamento e expressão, de movimento e circulação, de identidade e género”, na consciência de que essa mesma liberdade é “tantas vezes ameaçada, questionada, escrutinada, amordaçada ou simplesmente aniquilada em diferentes geografias”.
Depois do “Sonho”, que foi tema da edição de 2023, e antes do “Progresso”, que inspirará o cartaz de 2025, essa liberdade determina que, este ano, “nada será tabu”, pelo que, no seu todo, o festival se antecipa como “a celebração mais profunda e mais catártica que o ser humano pode experimentar”.
Para esse efeito, o Imaginarius de 2024 reforça três componentes: passou a incluir mais propostas em sala, para garantir uma programação coberta que, “impermeável à chuva”, evite cancelamentos massivos como os da edição de 2022; reforça a sua programação de domingo, tanto ao ar livre como em espaços fechados, aumentando as opções para famílias; e alarga-se a mais zonas da cidade, regressando a “palcos icónicos” como o largo do tribunal e o parque dos bombeiros.
Esse último, por exemplo, vai acolher a estreia em Portugal da “megaprodução ‘Waterlitz’”, em que a companhia francesa Générik Vapeur aborda a privação de liberdade com recurso a música, pirotecnia, multimédia e ballet aéreo, numa escolha que, segundo Gil Ferreira, demonstra a fidelidade do festival aos espetáculos de grande formato, contrariando a “tendência internacional” para contratar produções de custo mais reduzido e logística menos exigente.
Outro aspeto a que o evento se mantém fiel, como nota Telma Luís, gestora do projeto, é o trabalho artístico com a comunidade, desta vez expresso em três projetos: “De femme à FEMMES / De mulher a MULHERES”, da franco-americana Léa Dant, com histórias femininas de superação e libertação; a performance “Party City Pate Maria da Feira”, da companhia espanhola Invalid Adress, com figurantes ligados ao programa de voluntariado Imaginarius Participa; e a criação “Poetic Roads: Beyond Borders / Estradas Poéticas: Além das Fronteiras”, uma encomenda do festival à companhia italiana Rusty Brass Band, que trabalhará com músicos e bailarinos do município.
Além dessa estreia, entre as 33 estreias anunciadas para o Imaginarius de 2024 há duas outras estreias absolutas que estarão depois em itinerância com o apoio da Fundação de Serralves e da Fundação Inatel: “Tenho o Teu Nariz”, em que Fábio Araújo recorre a teatro, música, pintura e ilustração para refletir sobre temáticas da juventude, e “Pudesse eu não ter laços nem limites”, em que Joana Gomes explora o universo poético de Sophia de Mello Breyner com ‘video mapping’ e música ao vivo.
Outras três produções que Telma Luís destacou são “Rozéo”, em que intérpretes da companhia francesa Gratte Ciel vão equilibrar-se sobre mastros com seis metros de altura; “Gorilla Circus”, produção britânica que se apresentará pela primeira vez ao ar livre com bailarinos a atuar sobre uma passadeira rolante; e “Plock”, em que a companhia belga Grensgeval obrigará ao revestimento de uma sala e ao uso de fatos especiais pelo público para poder, com teatro físico e dança, manipular tintas de várias cores ao estilo expressionista do pintor americano Jackson Pollock.













Comentários