Guarda

Hospital da Guarda tem enfermeiros a trabalhar há anos sem contrato

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O hospital da Guarda tem mais de 60 enfermeiros em situação precária. Trata-se de profissionais que trabalham há anos na instituição e cujo vínculo é estabelecido através de uma sucessão de contratos de substituição, sendo que alguns remontam ao período da pandemia. Mas há também enfermeiros que ali trabalham há anos e nunca assinaram qualquer contrato, como constatou o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), numa recente visita que efetuou à instituição.

“É péssimo um hospital como o da Guarda ter tantos enfermeiros com vínculos precários, quando a sua necessidade permanente está mais do que comprovada; afinal, estamos a falar do interior do país, onde não existem assim tantos profissionais e é preciso criar aliciantes para a sua fixação”, começa por referir Nuno Couceiro, coordenador da região Centro do SINDEPOR.

“Mas o que mais nos espantou no hospital da Guarda é existirem enfermeiros ao serviço que nunca assinaram nenhum contrato. Como é que isto é possível? Estamos habituados a grandes diferenças no tratamento dos enfermeiros nas várias instituições do SNS, mas isto ultrapassa todos os limites”, lamenta Nuno Couceiro.

Nesta recente visita ao hospital da Guarda, o SINDEPOR identificou, nos serviços por onde passou, um acumulado superior a 24 mil horas extra feitas por enfermeiros. Reforçando que se tratam de horas que nem são pagas, nem são gozadas como tempo de descanso.

“Estes milhares de horas extra acumuladas em vários serviços mostram bem a ‘gestão’ que neste momento vigora no hospital da Guarda. Os enfermeiros são, mais uma vez, os prejudicados, porque são obrigados ou aliciados a trabalhar um número de horas claramente excessivo e não vêem qualquer compensação por isso”, critica Nuno Couceiro, para quem este é mais um exemplo de que o SNS “está, na generalidade, cada vez pior, apesar das pseudo melhorias que o Governo constantemente anuncia”.

Com todos estes problemas, o hospital da Guarda ainda opta por não renovar contratos de alguns dos enfermeiros com vínculos precários, lançando-os no desemprego. “São situações muito tristes e lamentáveis as que encontrámos nos serviços que visitámos e só podemos exigir que a administração do Hospital da Guarda tome medidas para resolver estes problemas”, apelou Nuno Couceiro.

Já após a visita do SINDEPOR, foram dispensados três enfermeiros que tinham contratos precários e fechadas 8 camas em Medicina B no final da semana passada. Decisões prejudiciais para os profissionais dispensados, mas também para os utentes, que assim vêem reduzida a capacidade de assistência oferecida pelo hospital da Guarda.

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