Estabelecer um guião para a construção de uma aliança regional, destinada a criar um compromisso de longo prazo para o desenvolvimento sustentável do território das regiões de Leiria e do Oeste, é a principal missão da estrutura de missão interna para a Sustentabilidade dos Ecossistemas de Leiria e do Oeste, recentemente criada pelo Politécnico de Leiria.
A iniciativa foi anunciada pelo presidente da instituição, Carlos Rabadão, durante a Sessão Solene de Abertura do Ano Académico 2022/2023, que decorreu na segunda-feira, dia 21 de novembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.
“Recentrando o Politécnico de Leiria no papel da ‘Universidade para a Região’, convidando os principais atores do território, como autarquias, associações empresariais, clusters para a competitividade, ecossistema de saúde, entre outros atores líder, pretende-se desenvolver um compromisso bottom-up apoiado pela tutela. A operacionalização deste compromisso deverá ocorrer por via de uma aliança estratégica de longo prazo, envolvendo toda a região”, defendeu Carlos Rabadão.
Para o presidente do Politécnico de Leiria, é necessário “transformar as potencialidades da nossa região em riqueza para todos e, por essa via, criar condições para atrair novos talentos, fixando desde logo os que anualmente saem da nossa instituição”.
Na sua intervenção, Carlos Rabadão enalteceu também a criação do observatório do sucesso escolar e da inserção profissional, que visa reforçar o conhecimento da rede alumni do Politécnico de Leiria, alinhado com os objetivos da União Europeia, no âmbito da “Iniciativa Europeia de Acompanhamento dos Diplomados” e do Eurograduate/Graduate Tracking Portugal 2022.
Pretende-se com este observatório recolher dados de forma sistematizada e extrair informação e conhecimento fidedignos, envolvendo os estudantes ativos, estudantes em abandono e diplomados, bem como os seus empregadores, que permitirão caracterizar os estudantes que a instituição recebe, assim como o seu percurso académico, conhecer o percurso profissional dos diplomados e identificar a relevância da sua formação na atividade profissional e pessoal que desenvolvem.
O objetivo é “fazer retornar esta informação às Escolas, no sentido de estas poderem adequar a sua oferta formativa de forma mais informada e esclarecida, racionalizando-a, adequando os seus planos de estudo e identificando necessidades de desenvolvimento de novas ofertas formativas”.
“Este observatório permitir-nos-á, também, responder de forma mais assertiva às questões do Sucesso Académico e Abandono Escolar, que estão dentro das prioridades desta Presidência. A este respeito, estamos a ultimar uma candidatura a financiamento para reforçarmos os mecanismos e procedimentos de combate ao abandono escolar e à melhoria do sucesso académico”, anunciou o presidente.
Carlos Rabadão reforçou ainda que o Politécnico de Leiria reúne hoje todas as condições para se afirmar como uma Universidade plena. “Uma Universidade plena, sem perdermos a nossa génese atual nem abandonarmos, naturalmente, o ensino politécnico atualmente assegurado pelas nossas Escolas, e que ministre também o ensino universitário, podendo outorgar todos os graus académicos previstos na lei”.
A região onde está implantado o Politécnico de Leiria, situada entre Coimbra e Lisboa, com mais de 650 mil habitantes e um PIB superior a 11 mil milhões de euros (cerca de 5,7% do PIB nacional), é a única grande região do país sem uma Universidade.
“Possuímos o corpo docente doutorado necessário para cumprimento dos requisitos legais necessários para esta aspiração. Temos unidades de investigação com trabalho muito relevante, com nível elevado de internacionalização e com muito boa avaliação por parte da FCT. Temos dois doutoramentos em funcionamento, que juntam politécnicos e universidades. Temos uma vasta região com forte dinâmica empresarial para servir e para nos apoiar neste desígnio. Já demonstrámos que temos o potencial e as condições necessárias para ser Universidade e que poderemos fazer muito mais, se nos deixarem”, concluiu.
A cerimónia contou também com a intervenção do presidente do Conselho Geral, Pedro Lourtie, que se dirigiu aos novos estudantes: “Aproveitem este tempo de formação da melhor maneira. Aproveitem o conhecimento científico e técnico que os vossos cursos proporcionam. Mas aproveitem também uma participação ativa, na vida do Politécnico, na eleição dos órgãos de gestão, na intervenção nas associações de estudantes, e de muitas outras oportunidades. Participem também na vida local, regional, ou mesmo nacional, em associações, em instituições de solidariedade social, em organizações não governamentais”.
Por sua vez, Joel Rodrigues, representante dos estudantes, afirmou que a eleição do presidente Carlos Rabadão “permite que o Politécnico de Leiria trilhe um novo caminho, assente em novos objetivos e nova visão para a instituição”, salientando, no entanto, que “os estudantes devem ser o centro desta visão e destes objetivos”. “É de reforçar a importância de, nas nossas Escolas, implementarmos medidas de combate ao abandono escolar e medidas de promoção de sucesso. Importa abrir a discussão à revisão da nossa oferta formativa, à revisão curricular dos nossos cursos, à flexibilização dos planos de estudos”.
Catarina Sarmento e Castro, ministra da Justiça, foi a oradora convidada da sessão solene, cuja oração de sapiência refletiu sobre “Justiça, Inovação e Novas Tecnologias”.












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