O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Leiria alertou hoje que o mundo rural já não é o que era após a depressão Kristin e pediu “tolerância zero” aos incêndios.
“O nosso meio rural e florestal já não é o que era. Transformou-se pela ação da Kristin. Hoje, esta zona de Leiria apresenta áreas de maior vulnerabilidade florestal, desde as matas nacionais de Leiria, de Pedrógão, da Mata da Lebre, até a região do Pinhal Interior. São milhares e milhares de hectares com um novo ordenamento, ou melhor, com um total desordenamento preocupante e alarmante”, afirmou Carlos Guerra na apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR).
Este cenário obrigou a “um plano operacional exigente e diferente”, que “tem na sua fase mais crítica [01 de julho a 30 de setembro] um total de 477 operacionais, 77 veículos de combate e apoio ao combate com o apoio permanente de três helicópteros de ataque inicial e um helicóptero de ataque ampliado”.
O dispositivo para este ano conta ainda com três torres de vigia e “um eficaz sistema de vigilância florestal”, a que acrescem os “três centros de meios aéreos” em Alcaria (Porto de Mós), Figueiró dos Vinhos e Pombal, “a rede viária bem cuidada pelos municípios e pelos concessionários, e o investimento na rede de pontos de água que são garantia de uma pronta e eficiente resposta no combate aos incêndios rurais”.
Carlos Guerra acrescentou à Lusa que a partir do dia 01 de junho entrarão em funcionamento mais 14 torres, num total de 17.
“Neste plano operacional, estes meios e estes operacionais permitem-nos manter um potencial de vigilância e combate muito significativo”, acrescentou.
Segundo o comandante sub-regional, este é um ano que “exige tolerância zero aos comportamentos de risco nos espaços rurais” e “aos incêndios causados por negligência humana”.
“Esta é uma obrigação de todos e de cada um. A tolerância zero aos comportamentos de risco exige mais vigilância e mais medidas dissuasoras. Propusemos reforçar as ações de vigilância com equipas das forças armadas para colaborar com a GNR nesta missão”, disse.
Carlos Guerra referiu que a capacidade do ataque inicial aos incêndios foi reforçada com “as equipas em triangulação e despacho imediato de meios aéreos”, além “dos meios aéreos de ataque inicial”.
Com uma taxa de eficácia em ataque inicial de 98%, no ano de 2025, o responsável pretende “robustecer ainda mais este ataque inicial”.
“Foi nossa proposta o aumento do dispositivo aéreo, com mais helicópteros pesados a operar a partir de estruturas aéreas sediadas nesta região”, revelou, ao desafiar a um “incremento de ações de monitorização aérea armada nos dias de maior risco de incêndio” e “prover a capacidade dos centros de meios aéreos para operações com aviões com caudas retardantes”.
Admitindo que o “maior défice é a quantidade de recursos humanos disponíveis”, o comandante sub-regional sugeriu o “reforço do dispositivo terrestre como a Brigada da Força Especial de Proteção Civil durante o DECIR na região de Leiria”.
“Propusemos ainda o reforço do efetivo da força dos bombeiros sapadores florestais nas matas nacionais e na prontidão imediata das máquinas de rasto”, disse, realçando que se trata de “medidas de exceção”.
A proteção de bens e pessoas, reduzir a área ardida e diminuir ao mínimo os reacendimentos são os desígnios prioritários.
Carlos Guerra confia no dispositivo de “elevada qualidade” para “contrariar os negligentes e dolosos comportamentos humanos”, mas apelou à garantia da segurança de todos os operacionais.
“A vossa segurança é o vosso maior bem. Por isso, a maior honra que nos podem dar é irem todos e regressarem todos”, rematou.
Integram o dispositivo bombeiros, Forças Armadas, GNR, PSP, sapadores florestais, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Comunidade Intermunicipal de Leiria, Serviços Municipais de Proteção Civil e Afocelca.








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