Portugal

Governo quer investir 88 milhões na saúde mental até 2026

0

O ministro da Saúde afirmou hoje que a proposta de lei de saúde mental se insere no processo de reforma desta área, na qual o Governo pretende investir 88 milhões de euros até 2026.

“A revisão da lei de saúde mental insere-se no processo de reforma da saúde mental que está em curso e que o Governo, utilizando como acelerador os recursos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pretende concluir até 2026”, adiantou Manuel Pizarro, no debate parlamentar sobre diploma.

Na sua primeira intervenção na Assembleia da República desde que tomou posse, o governante adiantou que revisão da legislação pretende “manter o país alinhado com as melhores práticas de defesa dos direitos humanos das pessoas que sofrem de doença mental, usando o melhor conhecimento científico disponível”.

De acordo com Manuel Pizarro, a reforma da área da saúde mental prevê que os 88 milhões de euros sejam investidos na qualificação e reforço das diferentes respostas disponíveis no país.

Nesse sentido, anunciou que, nos cuidados hospitalares, serão construídas quatro novas unidades de internamento em hospitais gerais e serão eliminados os internamentos de doentes agudos em hospitais psiquiátricos.

Já nos cuidados continuados, a reforma prevê que sejam criados até 1.500 lugares, adiantou o ministro da Saúde, ao avançar que está ainda prevista a criação de 15 centros de responsabilidade integrada e a requalificação de instalações de 20 entidades dos serviços locais de saúde mental.

“Serão criadas 40 novas equipas de saúde comunitária e mais respostas residenciais na comunidade”, com o objetivo de desinstitucionalizar este tipo de cuidados, afirmou.

Sobre a proposta de lei que o Governo entregou no parlamento, e que resulta do trabalho de um grupo de peritos, Manuel Pizarro salientou que, após cerca de 20 anos da atual legislação, é necessário proceder à sua atualização, tendo em conta os desenvolvimentos científicos, jurídicos e de direitos humanos registados ao longo desse período.

De acordo com o ministro, o diploma está, assim, alicerçado em “contributos muito relevantes”, como a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, o Plano de Saúde Mental aprovado pela Organização Mundial da Saúde, as linhas de ação estratégica para a Saúde Mental e Bem-estar da União Europeia e as recomendações mais recentes do Comité de Bioética do Conselho da Europa.

“A proposta de lei acentua a nossa visão humanista, enquanto vertente indispensável de cuidados de saúde de excelência, conferindo centralidade aos conceitos de autonomia, dignidade, participação, oportunidade e recuperação”, salientou.

Além disso, de acordo com o ministro, a proposta de lei inova na terminologia, abandonando expressões como anomalia psíquica e internamento compulsivo, recusando a categorização da pessoa com doença mental, e optando por referir o termo “pessoa com necessidades de cuidados de saúde mental”.

Na prática, o diploma dispõe sobre a definição, os fundamentos e os objetivos da política desta área, consagra os direitos e deveres das pessoas com necessidade de cuidados de saúde mental e regula as restrições destes direitos e as garantias de proteção da liberdade e da autonomia destas pessoas.

Notícias do Centro | Lusa

José Vala espera “grande festa” e Caldas a “disputar o jogo” com Benfica na Taça

Notícia anterior

Ordem dos Médicos do Centro pede maior sentido de responsabilidade ao Ministério da Saúde

Próxima notícia

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados

Mais em Portugal