Um concerto com o organista alemão Wolfgang Seifen, considerado um dos maiores improvisadores internacionais da atualidade, assinala a comemoração dos 25 anos do grande órgão da Sé de Leiria, no dia 05 de outubro.
Construído em Schiltach, na Alemanha, o instrumento foi inaugurado em 1997 na Sé Catedral de Leiria e, à época, “foi o primeiro órgão entre Lisboa e Porto e o quarto órgão sinfónico de características modernas a ser construído no país”, sublinhou à agência Lusa o organista titular, João Santos.
Para o aniversário do órgão, foram convidadas duas personalidades que historicamente lhe estão associadas.
Desde logo Wolgang Seifen, que regressa a Leiria onde já tocou em 1999, e que no dia 05 de outubro, às 16:00, interpretará um programa integralmente preenchido com improvisações sobre alguns dos cânticos litúrgicos do padre Carlos da Silva.
Também em Leiria vai estar Georges Heintz, o organeiro alemão responsável pela construção do órgão, aposentado há quase duas décadas.
“Ter estas duas personalidades intimamente ligadas à história do órgão é uma feliz e emotiva coincidência”, admitiu João Santos, para quem importa “celebrar um instrumento importantíssimo na cultura da Diocese de Leiria-Fátima, mas também da região de Leiria”.
O responsável realçou a capacidade para “tocar o repertório mais alargado da história do órgão, não só o repertório português que recria instrumentos mais limitados, mas também o repertório completo, como as grandes obras sinfónicas francesas”.
Para o organista, “mesmo passados 25 anos, é um privilégio para a cidade ter um instrumento destes”, embora em Leiria, reconheceu João Santos, “ainda falte um bom pedaço de caminho para se chegar à valorização total”.
“Na cidade de Leiria, e também um pouco a nível nacional, não se investe muito em concertos. O nosso órgão era fantástico para fazer concertos com uma regularidade maior do que aqui se faz. Não é uma crítica, é apenas uma constatação: tem a ver com a conjuntura que existe”, referiu o músico.
João Santos lembrou os objetivos que, em 1997, foram traçados para o grande órgão de Leiria. “Se virmos esses desígnios e desideratos referidos na temporada inaugural, falta ainda um pouco para cumprir o que era pensado e desejado”.
Pelo “uso moderado” e pela “excelente qualidade de construção”, em 2022 o instrumento “está praticamente novo”.
“Está ainda em muito boas condições, sobretudo depois de uma grande intervenção de limpeza que aconteceu há cinco anos”, que se revelou “essencial para que hoje esteja a 100% da sua capacidade”, cujo funcionamento “é completamente mecânico e não depende da eletrónica para a atualização do sistema”.
O organista português destacou que o órgão da Sé Catedral de Leiria “é um dos principais do país”.
“Na cultura organística em Portugal, é tido como um dos grandes órgãos de Portugal” e, por isso, João Santos gostava que a vida futura do instrumento representasse “uma regularidade cultural com mais concertos”, envolvendo “a comunidade civil de forma a refletir a importância de ter um órgão destes na nossa cidade e a aproveitar mais todo o seu grande potencial”.











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