Cerca de uma centena de imigrantes da Venezuela e refugiados da Ucrânia, que residem no concelho de Vagos, vão ser acompanhados até junho do próximo ano, no âmbito de um projeto que visa aumentar o seu bem-estar social.
“O projeto Envolver visa aumentar o bem-estar social da população migrante da Venezuela e da população refugiada da Ucrânia, residentes no concelho de Vagos, através da integração social, aceitação social, contribuição social, atualização social e coerência social da população migrante”, destacou a diretora da Santa Casa da Misericórdia de Vagos e coordenadora do projeto, Sónia Ribeiro.
Durante a apresentação do projeto, que decorreu hoje, ao final do dia no Centro de Educação e Recreio de Vagos, Sónia Ribeiro explicou que a iniciativa arrancou no final de fevereiro deste ano, estando previsto o seu término a 30 de junho de 2023.
“Acompanha cerca de 100 migrantes venezuelanos e refugiados ucranianos, tendo por objetivo aumentar em 30% o bem-estar social desta população”, acrescentou.
Este projeto, que visa valorizar e aumentar competência destas pessoas, bem como a partilha de culturas e o aumento da sociabilização, assenta em três eixos, sendo o primeiro o da educação, inclusão digital e formação.
“Vão ter aulas de português, ações de capacitação para procura ativa de emprego e capacitação na área das TIC [tecnologias da informação e comunicação]”, apontou.
O segundo eixo visa a dinamização comunitária, participação e cidadania, sendo desenvolvidas “ações de formação sobre cidadania, ações de convívios e a criação de uma associação de migrantes em Vagos”.
Já o último eixo tem em conta a vertente psicológica e o luto, estando previstos “atendimento psicológico e grupos de autoajuda”.
A equipa técnica do projeto “Envolver” é constituída por um assistente social, um psicólogo, um professor de português, um animador sociocultural, um jurista e um coordenador.
De acordo com o provedor Santa Casa da Misericórdia de Vagos, Paulo Gravato, este projeto foi inicialmente pensado para dar apoio aos migrantes da Venezuela, “mas com a invasão da Ucrânia, fez-se uma alteração ao projeto e incluiu-se a comunidade ucraniana”.
Atualmente, o grupo a apoiar é constituído por 80 % de migrantes da Venezuela e 20% de refugiados da Ucrânia, no entanto, “pode vir a ser alargado, consoante as necessidades que se verificarem”.
Nesta ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Vagos, Silvério Regalado, referiu que este é um projeto que “faz todo o sentido” e sublinhou a relação “quase umbilical à Venezuela”, onde muitas famílias do concelho estiveram emigradas e de onde vieram nos últimos anos famílias de migrantes.
“Somos um povo que sabe acolher e dar o melhor de nós. E Portugal tem a maior riqueza de todas: a segurança”, sustentou.
O autarca aludiu ao défice demográfico que o país atravessa, apontando a importância de acolher migrantes para tentar inverter esta realidade.
“Podem continuar a mandar vir gente da Venezuela, que aqui serão bem acolhidos”, concluiu.
O projeto “Envolver” representa um investimento de cerca de 92 mil euros e tem como principal promotor a Santa Casa da Misericórdia de Vagos, contando com cinco investidores sociais: Câmara Municipal de Vagos, Caixa de Crédito Agrícola de Vagos, Eixo Orientador, Grestel e Farmácia Giro.
É cofinanciado pelo Portugal Inovação Social, POISE, Portugal 2020, Fundo Social Europeu.











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