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Arqueólogos estudam sítio do Castanheiro do Vento em Foz Côa com 5 mil anos de história

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O sítio arqueológico do Castanheiro do Vento, no concelho de Foz Côa, está a ser alvo de uma investigação arqueológica numa área com uma ocupação que remonta aos primeiros séculos do 3.º milénio a.C., no período do Calcolítico.

Em declarações à agência Lusa, João Muralha, arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, disse que pela sua dimensão, cronologia e características arquitetónicas, o Castanheiro do Vento constitui um dos mais relevantes sítios arqueológicos da pré-história recente do Douro Superior, sendo frequentemente comparado a outros grandes povoados da região, entre os quais se destaca o Castelo Velho de Freixo de Numão, também no concelho de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.

De pedra em pedra, de estrutura em estrutura, já foram colocados a descoberto nesta local mais de meio milhão de fragmentos de peças cerâmicas, encontradas em várias campanha arqueológicas, que se iniciaram, na década de 90 do século passado, e que não têm fim à vista, dado todo o seu potencial pré-histórico e arqueológico.

“Para além destas peças em cerâmicas, foram encontradas peça líticas e em cobre, como pequenos punhais, machados, pontas de seta ou moinhos de mão e em grande quantidade ”, explicou o arqueólogo

Para João Muralha, está é uma região extremamente rica em termos arqueológicos e patrimoniais, sendo contemporânea das muralhas do Egito ou Stonehenge (Inglaterra).

“Este sítio, para além de importante é muito grande, tem 100 metros por 100 metros de dimensão e é muito rico em termos de estruturas e materiais arqueológicos. Tentamos perceber como é que estas comunidades viviam neste terrário e usufruíram deste sítio”, vincou o especialista.

Mesmo com o calor que faz sentir junto no sítio de Castanheiro do Vento, na freguesia da Horta do Douro, os investigadores não desistem e cada dia é uma nova aventura neste local, dadas as descobertas de paredes, perímetros de abrigos e até muralhas defensivas.

“Todas as estruturas encontradas vão sendo incorporadas nos nossos estudos, e estamos a perceber como estas comunidades se movimentavam há cinco mil anos. Temos encontrado, igualmente, vestígios de fauna em alguns depósitos, o que nos permite perceber que animais circulavam neste território e que eram usados na alimentação das comunidades”, destacou João Muralha.

Dos vestígios das espécies encontradas, os arqueólogos no terreno destacam o javali, o porco, o veado e também peixe, dada a proximidade com os rios Côa e Douro.

“Com estas descobertas conseguimos reconstituir a flora existente neste local com cinco mil anos de história e assim, a pouco e pouco, encontrar todas estas camadas de conhecimento”, vincou.

Quanto ao perfil dos habitantes pré-históricos da região do Castanheiro do Vento e área envolvente, trata-se de comunidades que cultivavam a terra e que já conheciam a agricultura e praticavam a pastorícia. Apesar disto, a recolha de alimentos e caça eram “extremamente importantes”.

“Outras das descobertas são pequenas placas com incisões semelhantes, com arte rupestre móvel, e leva a crer que estas comunidades circulavam pela região do Vale do Côa e vice-versa”, sublinhou o especialista em arqueologia.

As investigações arqueológicas desenvolvidas desde finais da década de 1990 permitiram identificar um sítio de grande dimensão e complexidade, caracterizado por vários muretes que delimitam o espaço, estruturas frequentemente interpretadas como bastiões, construções circulares e outras estruturas cuja interpretação continua a ser objeto de estudo.

João Muralha explicou ainda que todo o espólio encontrado durante as diversas campanhas arqueológicas será depositado no Museu da Casa Grande, em Freixo de Numão, que se trata de um projeto territorial desenvolvido pelo município de Foz Côa.

Localizado num cabeço sobranceiro à povoação da Horta do Douro, o Castanheiro do Vento domina o vale da ribeira da Teja e uma vasta área da paisagem envolvente.

No âmbito desta campanha arqueológica houve ainda ações de formação e visitas técnicas destinadas a trabalhadores do município de Vila Nova de Foz Côa, nomeadamente das áreas do património cultural e do turismo, e a trabalhadores e parceiros da Fundação Côa Parque.

Estas iniciativas permitirão acompanhar os trabalhos arqueológicos em curso e conhecer melhor os resultados das investigações desenvolvidas, contribuindo para uma leitura mais informada deste sítio arqueológico.

À reportagem da Lusa, a vice-presidente da câmara de Vila Nova de Foz Côa, Ana Filipe, destacou ainda que este trabalho em curso é mais que investir numa estação arqueológica.

“Temos de investir na investigação e valorização do património, para não se correr o risco de se perder a memória do passado”, destacou.

Notícias do Centro | Lusa

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