O presidente da Fundação Côa Parque disse hoje que a normalidade vai regressar aos poucos aos núcleos arqueológicos do Vale do Côa, após as cheias no rio Côa, que submergiram 110 rochas com gravuras rupestres, em três locais visitáveis.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da fundação, João Paulo Sousa, disse que as cheias nos finais de janeiro e fevereiro foram muito significativas também no Côa, porque não se conseguiu dar escoamento à quantidade de água.
“Desde o dia 23 de janeiro o caudal do rio Côa subiu de forma atípica. Esta situação levou ao encerramento dos sítios arqueológicos durante cerca de um mês, porque 110 rochas com gravuras do paleolítico superior ficaram submersas nos sítios da Canada do Inferno, Penascosa e Fariseu”, explicou o responsável pela fundação, que tem a gestão do Parque Arqueológico e do Museu do Côa, no distrito da Guarda.
Sem quantificar os prejuízos, João Paulo Sousa disse que houve casos em que as lamas ultrapassaram os 20 centímetros de altura nestes sítios arqueológicos.
O presidente da Fundação Côa Parque acrescentou ainda que se verificaram estragos no cais de atracagem, sistemas elétricos, centro interpretativo, danos significativos em taludes e outras estruturas.
“A normalidade para a visitação vai sendo reposta, apesar do sítio da Penascosa ainda ter alguns problemas estruturais”, sublinhou.
Segundo João Paulo Sousa, ainda está a ser feita a monitorização das cotas do rio Côa, e após a descida do nível das águas começou-se a limpeza dos locais afetados, o que permitiu a reposição gradual da normalidade.
“Se não houver mais intempéries, creio que podemos entrar em velocidade cruzeiro e que a normalidade da visitação regresse daqui a duas, três semanas”, vincou.
No que diz respeito ao número de visitantes, houve uma diminuição de 300 entradas em janeiro face ao mesmo mês do ano passado, para 1.600, que se vai agora tentar recuperar.
“A quebra de visitantes registou-se não só na fundação, mas também dos operadores particulares que também tiveram prejuízos”, disse João Paulo Sousa.
A Arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).
O Parque Arqueológico do Vale do Côa ocupa 20 mil hectares de terreno que estão distribuídos pelos concelhos Vila Nova de Foz Côa, Mêda, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, a que se junta o concelho de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, com manifestações de arte rupestre.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.












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