A Federação de Desporto de Inverno de Portugal (FDIP) promove hoje, na Pista de Gelo das Penhas da Saúde, Covilhã, o primeiro evento de curling no país numa pista de gelo, com a presença de treinadores experientes.
A primeira noite de curling na Serra da Estrela Ice Arena conta com a presença do lusodescendente Daniel Rafael, selecionador da Rússia, que também já foi técnico de Itália, China, República Checa e Turquia, antigo jogador e treinador de renome na modalidade.
Os participantes vão contar também com a orientação da treinadora de curling da FDIP, Fiona Simpson, ex-jogadora e técnica da disciplina, que se pratica numa pista de gelo e na qual o objetivo das equipas é fazer aproximar as pedras de granito lançadas o mais perto possível do alvo, esfregando com a vassoura o gelo para fazer a pedra deslizar mais ou corrigir a trajetória.
“A ideia é que seja o primeiro momento do curling em Portugal no gelo, porque já fizemos diversas iniciativas nas pistas sintéticas. No gelo nunca tínhamos feito e vai servir de divulgação da modalidade”, disse, em declarações à agência Lusa, o presidente da FDIP, Pedro Farromba.
Segundo o dirigente federativo, a ideia é, à semelhança da patinagem artística e do hóquei no gelo, que têm agora uma academia a funcionar semanalmente na Serra da Estrela, “pôr as pessoas em contacto com o curling e promover o incentivar o gosto pela modalidade”.
De acordo com Pedro Farromba, o curling não exige uma condição física tão apurada como o hóquei ou a patinagem, por ser essencialmente um jogo de estratégia, que implica “precisão, tática e inteligência”, embora seja necessário o treino para aperfeiçoar os lançamentos no bloco de apoio, as melhores técnicas para varrer, deslizar ou para conseguir fazer um ‘takeout’.
Para participar no primeiro treino da modalidade, a que muitos chamam xadrez no gelo, estão inscritas 18 pessoas, o número limite indicado pelos treinadores para se conseguir trabalhar com as equipas.
“Que eu saiba, tirando os treinadores, ninguém tem experiência. Pretende-se dar a conhecer, poderem experimentar, estimular a prática do curling e queremos que ganhem o gosto, para depois se avançar para a prática mais regular”, referiu Pedro Farromba.
Por ser necessário preparar a pista e limpar o gelo, o curling, com marcações permanentes na Ice Arena, tem de ser praticado perto do final do encerramento do espaço e o primeiro treino está marcado para as 21:00.
A intenção da FDIP é durante esta época desportiva, até abril, replicar a iniciativa com alguma periodicidade, às sextas-feiras ou sábados, para na próxima temporada, a partir de outubro, avançar para a prática regular.
“Tal como nas outras modalidades no gelo, estamos a começar do zero”, acentuou o presidente da FDIP, entidade que tem em curso o projeto para a construção de um pavilhão do gelo em Portugal, de maiores dimensões do que a pista nas Penhas da Saúde, com metade do tamanho olímpico.
Pedro Farromba salientou que “todas as possibilidades estão em aberto” quando se pensa na eventualidade de a pista da Serra da Estrela vir a dar origem a atletas que um dia possam competir internacionalmente por Portugal.
Em 2021, Portugal esteve pela primeira vez representado em provas internacionais de curling, numa competição de pré-qualificação olímpica da World Curling Federation (Federação Mundial de Curling), com a presença de portugueses residentes no Canadá, onde a modalidade é muito popular.
A FDIP realizou em Portugal o primeiro evento da modalidade em 2018, em pistas sintéticas, amovíveis, doadas pela Federação Mundial de Curling, ao abrigo do Development Assistance Programme, programa de desenvolvimento da modalidade em vários países que não têm essas condições.












Comentários