Os Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) continuam a perder passageiros e ainda não conseguiram inverter a quebra registada em 2025, revelou o presidente da entidade.
Em entrevista à agência Lusa, o presidente dos SMTUC, Eduardo Barata, que assumiu funções em janeiro, disse que ainda se regista uma perda de passageiros, tal como aconteceu em 2025, e ainda não foi possível inverter a quebra.
Em 2025, estes serviços municipalizados registaram uma quebra de 6,1% de passageiros (menos 752 mil), interrompendo o crescimento contínuo registado desde 2022, passando para 11,5 milhões de utentes transportados (em 2019, foram 13 milhões).
“Estamos a estabilizar a quebra, mas ainda não invertemos. Continuamos a perder passageiros”, reconheceu, referindo que há vários fatores que contribuem para a dificuldade em regressar aos níveis de utentes pré-pandemia.
Para Eduardo Barata, há uma razão que impede sequer “comparações diretas” entre antes e depois da pandemia, por se estar agora a trabalhar “num sistema integrado” com o ‘metrobus’ (autocarros elétricos em via dedicada, cuja operação comercial arrancou em janeiro).
“Nós podemos estar a transportar menos passageiros, mas estamos a permitir que o novo operador tenha também ele próprio passageiros e esteja ele a crescer”, disse o responsável, que foi vogal na Metro Mondego.
As próprias obras desse sistema, cuja rede urbana ainda não está completa, também têm criado problemas no serviço dos SMTUC, que apresentam um índice “de regularidade de cerca de 91%, que é assumidamente mau”.
“Temos um conjunto relevante de viagens suprimidas que resultam de problemas na frota, problemas do pessoal tripulante [motoristas] e um outro problema que radica – e que também tem expressão – nas obras”, notou.
Sobre os horários que ficam por cumprir, Eduardo Barata notou que continuam a registar-se “problemas muito sérios” na frota, com uma taxa de imobilização de cerca de 30% (um em cada três autocarros não está a circular).
“Durante os primeiros três meses em que estivemos aqui, o principal problema por chapas suprimidas [horários] foi com a frota”, disse, referindo que, mais recentemente, os problemas estão mais relacionados com a falta de motoristas.
De momento, tem vindo a crescer “de forma muito relevante” a utilização dos bilhetes intermodais (que permitem, de momento, circular nos SMTUC e Metro Mondego) e que deverá abranger ainda este ano o SIT (Sistema Intermunicipal de Transportes da Região de Coimbra).
Segundo Eduardo Barata, os utentes dos SMTUC que usam o bilhete intermodal e não apenas o passe dos transportes urbanos já é “claramente superior a 50%”.
“É um número que vai ao encontro das nossas melhores expectativas”, notou.
Eduardo Barata admitiu que o processo da intermodalidade tem sido de aprendizagem e de “tentativa e erro”, e recordou que já houve várias alterações tarifárias nos primeiros meses de intermodalidade, que causaram “uma entropia na dinâmica de crescimento do próprio sistema”.
Essas alterações “também pretendem elas próprias dar resposta e, mais do que dar resposta, incentivar ao próprio crescimento da intermodalidade”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de, no futuro, haver aquisição de bilhetes através do telemóvel ou cartão bancário, Eduardo Barata reconheceu que houve um trabalho do anterior conselho de administração nesse sentido, referindo que, no contexto da intermodalidade, esse trabalho deve ser desenvolvido e assumido pela AGIT (Agência para a Gestão do Sistema Intermodal da Região de Coimbra).
Os diferentes operadores deste sistema intermodal “devem deixar que seja a AGIT a liderar esse processo”, disse, vincando, no entanto, que os SMTUC vão continuar empenhados em garantir que isso possa ser uma realidade.











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