O mês de agosto significa capeias arraianas no concelho do Sabugal, um ciclo tauromáquico único no país e no mundo que começa no próximo domingo e se prolonga até 25 de agosto, para gáudio de milhares de aficionados.
A tradição, que se faz de ‘encerros’ de touros pelas ruas das aldeias, durante a manhã, e capeias com forcão, ao final da tarde, está registada no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial desde 2011, tendo sido renovada este ano.
“Em agosto, a população do concelho quase que quadruplica por causa dos nossos emigrantes – passamos de 12 mil habitantes para cerca de 35 mil a 40 mil –, mas também por causa das capeias, que atraem muita gente de fora, nomeadamente aficionados espanhóis e de outras zonas do país”, realça Vítor Proença, presidente da Câmara do Sabugal, à agência Lusa.
Segundo o autarca, este mês “é sempre muito importante para nós e para a economia local, que consegue faturar acima da média”.
Este ano, para melhorar a segurança nos 14 eventos tauromáquicos programados, o município vai disponibilizar uma unidade móvel com um médico e um enfermeiro em permanência.
“Esta equipa será acompanhada por seis elementos da proteção civil municipal e operacionais do corpo de bombeiros da área, e vai tratar pequenas situações que possam ocorrer nestes eventos, que, por norma acontecem, como pequenas cornadas, escoriações ou quedas”, adianta Vítor Proença.
A viatura tem “todas as condições para fazer tratamentos simples e de estabilização num local condigno, com o equipamento necessário para atender as pessoas no local”.
“É um contributo do município para que as pessoas se sintam cada vez mais seguras nestes eventos”, afirma o autarca raiano.
Vítor Proença acrescenta que a renovação, por mais dez anos, da classificação da capeia arraiana como Património Cultual Imaterial “exige de nós maior cuidado na manutenção desta tradição, para que tudo corra bem durante este mês de agosto”.
A temporada cumpre-se todos os anos em 14 localidades do Sabugal, no distrito da Guarda, e começa este domingo na aldeia de Quadrazais e prossegue no dia 06 de agosto na Lageosa da Raia, pequena aldeia situada na fronteira com Espanha.
Segue-se uma semana intensa com as capeias de Aldeia do Bispo (dia 11), Soito (dia 12), Ozendo e Rebolosa (dia 13), Nave (dia 14), Aldeia da Ponte (dia 15), Vale de Espinho (dia 16), Alfaiates (dia 17), Forcalhos (dia 18) e Foios (dia 19).
No dia 23 de agosto, realiza-se o Festival “Ó Forcão Rapazes!”, na praça de touros de Aldeia da Ponte.
Trata-se do autodenominado “campeonato do mundo do forcão” porque reúne as nove aldeias onde a capeia está mais enraizada vão medir forças na arte e engenho de lidar touros com o forcão.
O ciclo das capeias arraianas despede-se a 25 de agosto, em Aldeia Velha.
Para além disso, ainda estão programadas corridas de touros à portuguesa, garraiadas e largadas de touros.
A capeia é o ponto alto das festas locais e realiza-se sempre após as festividades religiosas de cada aldeia. Consiste num encerro matinal dos touros pelas ruas e, à tarde, na sua lide com forcão nas praças improvisadas no centro das localidades.
A origem deste ritual “perde-se na memória dos tempos”, mas não está em risco de desaparecer tão cedo graças ao envolvimento das comunidades em cumprir esta tradição com brio e empenho.
O forcão – uma estrutura triangular em madeira de carvalho que é carregada por cerca de 30 homens – é o elemento aglutinador desta festa, pois é com ele que se lida o touro e que os jovens se afirmam perante a comunidade.
Esta prática é única e exclusiva das gentes raianas, o que valeu à tradição raiana o reconhecimento como Património Cultural Imaterial dada a sua importância etnográfica, cultural e social no concelho.













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