Viseu

Soenga recriada a 24 e 25 de maio em Molelos

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O processo artesanal de cozedura do Barro Negro de Molelos volta a ser recriado nos dias 24 e 25 de maio. 

A Soenga será recuperada durante dois dias, num evento promovido pelo Município de Tondela em colaboração da Junta de Freguesia de Molelos. 

A iniciativa, que vai para a sétima edição, vai decorrer, como tem sido hábito, no Parque das Raposeiras. 

A Soenga é uma atividade única no país, permitindo aos seus visitantes, durante um fim de semana, acompanhar de perto um dos mais antigos métodos de cozedura de cerâmica e que a Câmara Municipal de Tondela tem primado por manter vivo. 

Quem passar pelas Raposeiras poderá assistir a todas as fases do processo de cozedura e pelas mãos dos oleiros de Molelos descobrir tudo sobre este saber fazer secular. 

Este certame constitui já um marco cultural e turístico de excelência, atraindo a Molelos e ao concelho de Tondela público de todo o país e até do estrangeiro. 

Em Molelos encontram-se em atividade ainda sete oleiros. São eles e elas que no último fim de semana do mês de maio executarão a Soenga. O programa do evento é sempre acompanhado por várias atividades de cariz cultural. 

Este será o primeiro ano em que se realizará a Soenga depois de o “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos” ter sido inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI). 

A classificação, que resulta de uma candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Tondela, foi conseguida a 2 de abril. 

A inscrição no INPCI, há muito desejada por todos os oleiros e pelo poder local, vem reconhecer a relevância que esta atividade tem quer na economia local, quer no fator identitário do território.

A Soenga é o processo tradicional de cozedura do barro negro, em que a louça é colocada numa cova pouco funda cavada no solo. Neste buraco, após ser coberto parcialmente com lenha de pinheiro e tapada com torrões de terra, é ateado fogo, deixando-se cozer sob o olhar atento dos artesãos.

A cor negra do barro característica explica-se pela cozedura de tipo redutor, que consiste em abafar com terra a louça na fase final da cozedura, impedindo a entrada de oxigénio. Devido a processos físicos e químicos (falta de oxigénio), as peças tornam-se completamente negras e, em parte, impermeabilizadas.

Notícias do Centro | Lusa

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