Aveiro

São João da Madeira: Pesquisa do Centro de Arte Oliva descobriu mais 22 obras de Jaime Fernandes

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O trabalho do Centro de Arte Oliva para preparação da mostra “Jaime Fernandes – Vi uma cadela minha com lobos” localizou mais 22 desenhos do principal nome da Arte Bruta portuguesa, revelou hoje a instituição de São João da Madeira.

A exposição nesse equipamento cultural do distrito de Aveiro começou a ser preparada em 2020, tendo motivado no início de 2021 uma campanha de sensibilização pública para identificação de obras do autor que se sabiam existir, mas estavam dispersas por coleções particulares não identificadas.

Esse trabalho prospetivo continuou após a inauguração da mostra em maio de 2021 e, revelou hoje a diretora do Centro de Arte Oliva e curadora da exposição em causa, resultou na descoberta de mais 22 desenhos de Jaime Fernandes (1899-1969) – que, diagnosticado com esquizofrenia aos 38 anos, esteve internado no Hospital Miguel Bombarda durante três décadas e só nos últimos seis anos de vida revelou predisposição artística, entregando-se a uma intensa produção criativa.

“Acreditávamos que, com a reunião e apresentação pública dos desenhos oriundos de diversas coleções nacionais e estrangeiras para esta exposição, a obra de Jaime alcançaria um maior eco e assim aconteceu. No entanto, as nossas expectativas foram amplamente ultrapassadas, porque foram identificados 22 desenhos em coleções particulares”, revelou a curadora Andreia Magalhães.

Essas obras juntam-se no próximo sábado aos 42 trabalhos já expostos na Oliva, em resultado de empréstimos por parte de colecionadores particulares de Portugal, França, Suíça e Áustria, e de instituições nacionais e estrangeiras como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Collection de l’Art Brut, de Lausanne.

Quantos às 22 criações recém-chegadas, a diretora do centro de arte adiantou: “Muitas delas foram identificadas durante a preparação da exposição porque figuravam não só no filme ‘Jaime’ (1974), do realizador António Reis, como também em documentação fotográfica. Outras serão completamente desconhecidas do público”.

No primeiro caso incluem-se trabalhos cujo empréstimo não foi possível concretizar antes de inaugurada a mostra porque os proprietários, embora identificados, “só se convenceram” quanto à relevância da cedência à Oliva “após terem visitado a exposição”. Os desenhos até aqui desconhecidos, por sua vez, apenas foram sinalizados no final de 2021, quando os respetivos donos contactaram o centro de arte.

Em ambas as situações, o estilo característico de Jaime Fernandes mantém-se distintivo, expressando-se em figuras humanas, figuras antropomórficas e animais reais ou imaginários, sempre no traço característico do autor, à base de esferográficas coloridas sobre diversos tipos de papel.

O balanço de Andreia Magalhães, que aponta Jaime Fernandes como “um dos nomes mais reconhecidos na Europa no campo da Arte Bruta”, é que “metade dos desenhos agora incorporados na exposição nunca antes foram expostos ao público”.

Em complemento a esse reforço expositivo, no próximo sábado também será inaugurada na Oliva a exposição “Ninguém. Só eu”, com obras criadas ou selecionadas por nove artistas que aí participaram numa residência em torno da exposição “Vi uma cadela minha com lobos”.

Comissariada por Antonia Gaeta, essa mostra conta igualmente com a parceria do Centro de Arte de São João da Madeira e o apoio da Direção-Geral das Artes, podendo ser visitada até 17 de abril. Inclui trabalhos de Ana Manso, Ana Santos, Belén Uriel, Francisca Carvalho, Jorge Queiroz, Mattia Denisse, Sérgio Carronha, Susanne Themlitz e Tropa Macaca.

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