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Regulador quer que Unidade de Saúde da Guarda acabe com atrasos na comunicação de óbitos

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A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) emitiu instruções para que o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e a Unidade Local de Saúde da Guarda, garantam “especial cuidado” e celeridade na comunicação de óbitos a familiares.

A ERS divulgou hoje deliberações tomadas durante o primeiro trimestre de 2022, resultantes de queixas apresentadas por utentes, entre quais situações relacionadas com o atraso na comunicação da morte do doente à família.

Uma das reclamações analisadas relata a situação ocorrida no Hospital Beatriz Ângelo, em que, no dia 21 de setembro de 2021, a mulher de um doente ter-se-á dirigido ao hospital para fazer uma visita tendo sido informada que o marido tinha falecido “[…] dois dias antes, no domingo dia 19”.

Segundo a reclamação, a família não foi informada e a vítima ficou dois dias na morgue, tendo a situação sido descoberta de “forma casual, abrupta e insensível para com a família”.

“Queremos acreditar que esta situação não é normal mas também queremos contribuir para que não volte a suceder com outra família, sendo esse o objetivo desta reclamação”, lê-se na reclamação.

Em resposta à reclamação, o hospital confirmou que o doente recorreu à unidade em 3 de agosto de 2021. “Verificamos que a situação clínica veio a agravar-se, progressiva e paulatinamente, durante o internamento, tendo o doente vindo a falecer no dia 19 de setembro, pelas 21:45”.

“Infelizmente a cadeia de transmissão de informação, relativa à comunicação do óbito à família, não funcionou como é habitual e devido, situação que lamentamos […]. Infelizmente, existiu um lapso nesta transmissão de informação, tendo a respetiva médica assumido que a família havia sido informada pela equipa de apoio ao internamento, imediatamente após a confirmação do óbito, pelo que não o fez […]”, refere na reposta.

A ERS divulga outra reclamação, visando a atuação da Unidade Local de Saúde da Guarda, E.P.E. (ULSG), em que a reclamante alega que o seu pai, com 83 anos, estava ali internado, tendo morrido no dia 21 de janeiro de 2021. Contudo, o óbito só foi comunicado à família no dia seguinte.

Segundo a reclamante, no dia 21 de janeiro de 2021, a família já tinha feito várias tentativas de comunicar com a ULSG. O Hospital “não quis dar informação relativa ao estado de saúde do meu pai e disseram-me para ligar para o lar pois talvez o hospital lhes tivesse comunicado algo”.

Refere ainda que, no dia seguinte, o seu irmão conseguiu falar, primeiro com uma enfermeira e depois com um médico, que o informou que o seu pai tinha falecido no dia anterior.

A ULSG esclareceu o seguinte: “[…] o período referido representou, dada conjuntura pandémica vivida, tempo de fortes constrangimentos e dificuldades no atendimento e informação nas unidades de saúde, porquanto, devido à grande afluência de doentes ao Serviço de Urgência, devido à covid-19, bem como à escassez de recursos humanos e logísticos, verificamos algumas falhas na comunicação com os familiares. A ULS Guarda [lamenta] os constrangimentos associados”.

Perante estas situações, a ERS emitiu instruções às referidas unidades de saúde no sentido de “garantir, em permanência, que na prestação de cuidados de saúde são respeitados os direitos e interesses legítimos dos utentes e dos acompanhantes, assegurando, por um lado, que aqueles cuidados são prestados de forma digna, humana e com respeito pelo utente e, por outro, que os acompanhantes são devidamente informados, em tempo razoável, sobre a situação do doente nas diferentes fases do atendimento, garantindo especial cuidado, celeridade e correção na comunicação de informação sensível, como a de óbito de um familiar”.

Notícias do Centro | Lusa

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