DestaqueLeiria

Região de Leiria exige revogação imediata da Carta de Perigosidade de Incêndio Rural 

0

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) exigiu hoje a revogação imediata da Carta de Perigosidade de Incêndio Rural, por provocar “graves prejuízos” a Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande.

Num documento enviado à Lusa, a CIMRL refere que a Carta de Perigosidade, aprovada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, classifica mais de 85% do território daqueles três concelhos no norte do distrito de Leiria “com nível de perigosidade Alta e Muito Alta”, o que provoca “graves prejuízos a estes territórios”.

Por um lado, “condiciona a estratégia de desenvolvimento territorial inscrita nos instrumentos de gestão territorial, numa clara ingerência na esfera de competências municipais”.

Por outro, “cria uma falsa perceção pública de que todo o território destes concelhos é perigoso do ponto de vista de incêndio rural, o que afasta os potenciais investidores”.

Acresce, segundo a CIMRL, a criação de “alarme social às pessoas que residem e trabalham nestes territórios”, além de que “ignora, completamente, as medidas e investimento de âmbito local que contribuem para a mitigação/redução do risco de perigosidade”.

Por isso, a CIMRL exige a revogação imediata do documento e pede que se inicie um processo colaborativo com envolvimento das comissões regionais e sub-regionais do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais e dos municípios.

A Comunidade Intermunicipal vai ainda solicitar uma reunião urgente ao secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino, “para ajustar a definição das situações de risco”.

A Carta de Perigosidade de Incêndio Rural, publicada sob aviso em Diário da República em 28 de março, é um instrumento para planeamento das medidas de prevenção e combate a incêndios rurais, para definição dos condicionamentos às atividades de fruição dos espaços rurais

À margem de uma reunião da CIMRL em Porto de Mós, o vice-presidente com o pelouro da Proteção Civil, Jorge Vala, afirmou que os autarcas lamentam que não tenham “sido ouvidos nem achados” numa situação que “condiciona toda a estratégia de desenvolvimento”, sobretudo nos concelhos do norte do distrito.

Jorge Vala (PSD), também presidente da Câmara de Porto de Mós, antecipou “futuros conflitos naturais com a população”, mas, principalmente, “uma condicionante muito grande à perspetiva de regenerar o Interior”.

“Quando estamos a pensar nesta regeneração do Interior, temos de pensar em pessoas. Ora, se condicionamos a que essas pessoas se instalem em regiões de baixa densidade, naturalmente estamos a pôr em causa a evolução destes territórios, estamos a pôr em causa inclusive (…) a boa preservação da própria floresta, porque, não havendo pessoas, não há quem trate a floresta e não havendo quem trate a floresta, estamos a pôr estes territórios ainda em maior risco”, avisou.

O autarca assinalou, igualmente, que o documento apresenta “algumas ambiguidades”.

“Por exemplo, a Região de Leiria homologou cartas, cartografia, à escala 1:10000 e esta carta saiu à escala de 1:25000. Portanto, vê-se logo quando ampliada que vamos ter territórios que têm já zonas urbanas, núcleos urbanos atravessados por estas faixas de risco”, alertou.

O presidente da CIMRL, Gonçalo Lopes, garantiu que a Comunidade Intermunicipal vai fazer deste assunto uma das “principais ações políticas durante os próximos tempos”.

“Houve, efetivamente, uma imposição de uma carta sem a devida abordagem a quem está no terreno diariamente, não só a fixar pessoas, mas também somos os primeiros a combater os incêndios. E este tipo de distanciamento entre as organizações nacionais do Estado e as autarquias é um péssimo exemplo em que nuns dias nos dizem que somos importantes para descentralizar e noutros dias impõem-nos mapas que nos limitam o nosso futuro”, acrescentou o presidente da Câmara de Leiria.

Para Gonçalo Lopes (PS), “ao impor este tipo de mapa é a mesma coisa que estar a desvalorizar o poder democrático local e a desvalorizar a importância e competência dos autarcas e dos seus técnicos”.

A CIMRL integra os Municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

Notícias Do Centro

Albergaria-a-Velha colocou cerca de 350 armadilhas para capturar vespa asiática

Notícia anterior

Turismo Centro de Portugal apresentou vantagens da região para os trabalhadores remotos

Próxima notícia

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados

Mais em Destaque