O Comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria regista hoje “algumas dezenas de ocorrências relacionadas com pequenas inundações” por falta de telhados em habitações devido à depressão Kristin.
“A esta hora [06:45] começam a surgir algumas dezenas de ocorrências relacionadas com pequenas inundações, motivadas não pela chuva excessiva, mas, principalmente, pela falta de telhados” em habitações, afirmou à agência Lusa o 2.º comandante sub-regional, Ricardo Costa.
Segundo Ricardo Costa, haverá “muitas centenas e, eventualmente, milhares de casas que terão problemas nos telhados”.
“As pessoas estão a pedir ajuda, tendo em conta que chove continuamente, não muito forte, mas está a causar muitos danos nas habitações”, referiu.
Explicando que “são situações em que não é fácil haver uma intervenção dos bombeiros, porque o nível de água dentro das habitações é muito baixo”, Ricardo Costa garantiu, contudo, que “estão a ser sinalizadas”.
“Nas mais emergentes ou em que a quantidade de água assim o justifica, são despachados meios, mas, neste momento, estão a ser definidas prioridades e é nisso que continuamos a trabalhar”, declarou.
Reconhecendo que depois do vento de quarta-feira sucede hoje a chuva, Ricardo Costa observou que “há muitas casas que têm sistemas de bombagem nas suas garagens, têm poços autónomos, que normalmente efetuam a sua retirada de água”, mas, não havendo energia elétrica, há “um conjunto de problemas acumulados que advêm do temporal”.
Este responsável da Proteção Civil da Região de Leiria esclareceu que durante a noite prosseguiram trabalhos de limpeza dos principais eixos rodoviários, alertando que há vias municipais em que “ainda não é possível circular”.
“Pedimos à população que se mantenha junto das suas habitações, tentem ajudar os vizinhos, tentem ajudar a reparar aquilo que foram os danos ou os pequenos danos que tiveram, porque, naturalmente, ainda não foi possível aos serviços municipais e aos corpos de bombeiros chegarem a todas as situações”, adiantou.
Explicando que foram definidas prioridades, no âmbito do abastecimento de água e de energia, como estabelecimentos prisionais, hospitais, lares ou centros de diálise, Ricardo Costa assinalou que estes casos estão “a ser supervisionados e apoiados pelos serviços municipais”.
“Gradualmente, nos próximos dias, porque estamos a falar de dias, vão ser resolvidas, mas com bastante tempo e muito trabalho pela frente” as outras situações, acrescentou o 2.º comandante sub-regional.
O Comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria abrange os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causou cinco mortos e vários desalojados.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.












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