O PS de Ovar defendeu hoje que o acordo anunciado quarta-feira entre PSD e plataforma independente Agir para viabilizar a governação em maioria na câmara municipal é uma jogada de interesses pessoais que constitui uma traição ao povo.
As críticas surgem na sequência das eleições autárquicas do passado dia 12 de outubro, quando o PSD manteve a presidência dessa autarquia do distrito de Aveiro, mas passou de sete para apenas quatro eleitos, ficando assim em desvantagem numérica face à oposição, que elegeu três vereadores para o PS, um para o Chega e uma para o movimento Agir – Pelo Desenvolvimento da Nossa Terra.
Foi à eleita dessa força política, a empresária Lígia Pode, que o PSD ofereceu um lugar em permanência no seu executivo, em regime de tempo parcial, para tutela dos pelouros da Economia, Empreendedorismo, Inovação e Modernização Empresarial. Assegura-se assim, como justificou PSD e Agir num comunicado conjunto, “a estabilidade política”.
Emanuel Oliveira, vereador do PS e presidente da concelhia local do partido, critica, contudo, que esse acordo de governação só tenha sido tornado público após a tomada de posse dos eleitos, “sem qualquer aviso prévio” e “sob a ilusão e o disfarce”.
“Confirmou-se aquilo que o PS de Ovar sempre denunciou: a falsa narrativa de independência de uma plataforma que, desde o primeiro momento, se apresentou como ‘alternativa’, mas que, afinal, escondia ligações partidárias bem conhecidas”, declara.
O líder local dos socialistas diz que o referido acordo de governação “contraria todas as afirmações de autonomia e diferença” apregoadas pelo Agir, que “durante meses acusou os outros de inércia e má gestão, acenava com auditorias a contas e lançava a suspeição óbvia sobre o executivo e suspeições infundadas sobre a seriedade dos trabalhadores municipais, mas agora, em silêncio e sob o ‘calor da noite’, negociou lugares e contrapartidas” para a sua primeira eleita.
“A política deve ser o exercício nobre da confiança pública, não um jogo de sombras e de interesses pessoais. Quando se trai a transparência, trai-se o povo. Quando se negocia no silêncio, apaga-se a verdade. Quando se mente sobre a independência, perde-se a honra”, declara Emanuel Oliveira.
O vereador realça que essas críticas se dirigem sobretudo a Lígia Pode e, no mesmo contexto, ressalva “a coerência e a integridade de alguns membros da Agir, que se têm demarcado publicamente destas manobras e mantêm uma postura de respeito pela vontade popular e pelos princípios que dizem defender”.
Insistindo que “Ovar merece clareza e verdade”, o líder local do PS não nega a legitimidade das coligações, mas declara que elas “devem ser claras e do conhecimento de todos” antes da ida às urnas, mesmo que, nessa fase, apenas esteja em causa “a possibilidade” de essas parcerias se concretizarem.
Notando que, ao nível do Poder Central, “o PSD nacional e o CDS foram pelo menos frontais, pois apresentaram-se numa coligação que o povo conheceu e escolheu”, Emanuel Oliveira afirma: “O que ocorreu em Ovar não é uma coligação deliberativa ou uma geringonça parlamentar, fundada na negociação transparente de posições sobre projetos ou orçamentos. É algo que coarta liberdades. (…) Esconderam-se os acordos e criou-se uma ilusão de mudança, enquanto se pregava a diferença”.
Quanto à futura prestação do PS no executivo, garante que os três eleitos do partido manterão as suas funções de escrutínio: “Somos Oposição porque o povo assim o determinou”.












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