A Câmara de Porto de Mós, concelho do distrito de Leiria afetado pela depressão Kristin, vai dar um gerador a cada uma das freguesias do concelho para, na eventualidade de futuros apagões, a sede da junta ter energia.
À agência Lusa, o presidente do município, Jorge Vala, explicou que o objetivo é garantir que as “freguesias, no caso de voltar a existir uma situação como esta, uma situação de apagão, uma situação em que possa ir abaixo a energia elétrica”, o ponto de encontro das comunidades “seja a junta de freguesia”.
Jorge Vala disse que, se tal suceder de novo, as pessoas podem na junta receber informações, pedir socorro ou carregar telemóveis.
“Mas, sobretudo, ao nível da informação que, desta vez, infelizmente, na maioria das juntas de freguesia, acabou por falhar, por falta deste equipamento”, adiantou.
Segundo o autarca, é “importante acautelar um próximo evento destes”, esclarecendo que o custo total estimado dos 10 geradores é de cerca de 20 mil euros, mas reconheceu que “este não é o momento para os adquirir”.
“Vamos ter de esperar mais uma semana ou duas, uma vez que grande parte dos ‘stocks’ estão esgotados e (…) ver se os próprios mercados acabam por ficar menos agressivos como estão agora”, declarou, considerando que os preços estão “bastante inflacionados”.
Numa nota de imprensa, a autarquia referiu que os equipamentos a disponibilizar “apresentam potência e autonomia adequadas para responder às necessidades mais prementes, permitindo assegurar o fornecimento de energia elétrica em espaços comunitários previamente definidos para apoio à população”.
“Perante os acontecimentos registados nos últimos anos — e, mais recentemente, a tempestade que atingiu a região de Leiria — bem como os alertas que apontam para uma maior frequência de fenómenos meteorológicos extremos e outros, o Município de Porto de Mós entendeu reforçar a primeira linha de apoio às populações”, esclareceu.
A disponibilização destes equipamentos vai permitir “assegurar acesso a eletricidade e, consequentemente, a condições básicas como iluminação, conservação de alimentos e medicamentos, preparação de refeições, higiene pessoal e outros serviços indispensáveis à dignidade das pessoas afetadas”.
Quanto ao restabelecimento da energia elétrica, Jorge Vala adiantou que hoje a E-Redes instalou mais um gerador, agora na Cruz da Légua, assinalando uma “melhoria bastante significativa” face à noite de segunda-feira, estimando agora cerca de 700 casas sem eletricidade.
Entretanto a autarquia anunciou que já se encontram reunidas as condições necessárias para a reabertura ao público do Castelo e das piscinas municipais.
“Recordamos que, na sequência da tempestade que assolou a região de Leiria — incluindo o concelho de Porto de Mós – vários edifícios municipais sofreram danos”, referiu nas redes sociais, explicando que “a reabertura dos serviços tem vindo a ocorrer de forma faseada, garantindo sempre todas as condições de segurança e plena utilização das infraestruturas”.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.












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