Leiria

Pombal: Empresa Motassis com 85% da capacidade produtiva dois meses após depressão Kristin

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A empresa de plásticos Motassis, no concelho de Pombal, encontra-se com cerca de 85% da sua capacidade produtiva reposta dois meses após a depressão Kristin, mas ainda sem comunicações da Meo.

Situada em Meirinhas, uma das zonas mais castigadas pela Kristin no final de janeiro, a Motassis registou um prejuízo de um milhão de euros (abaixo do inicialmente previsto), disse à agência Lusa Dina Mota, uma das suas proprietárias.

“É cedo para usar a palavra normalidade. Todos os operadores estão ao serviço, mas ainda estamos com uma área produtiva que tem de ser toda reconstruída e isso vai demorar uns meses”, lamentou.

No pavilhão mais afetado estão quatro máquinas, duas a trabalhar e duas paradas.

Dina Mota explicou que “a cobertura do pavilhão abateu e está em cima de quatro máquinas”, mas foi criado “um micro pavilhão por cima de duas delas” para que possam estar a funcionar.

As outras duas, que estão paradas, serviam para produção de tubo de rega, que é sazonal (de março a outubro): “Fizemos parceria com outros produtores de plástico e estamos a conseguir corresponder às necessidades dos nossos clientes”.

A proprietária contou que a reparação do pavilhão já foi adjudicada a uma empresa, mas “talvez demore três, quatro ou cinco meses, não se sabe, porque os materiais de construção estão a ser muito requisitados e está tudo a demorar mais tempo do que o previsto”.

Segundo Dina Mota, a empresa – que tem 30 funcionários e produz plásticos sobretudo para a indústria alimentar – está a trabalhar com recurso à Starlink (serviço por satélite), uma vez que “a Meo ainda não resolveu o problema das comunicações”.

A Kristin fez voar cerca de 200 dos 550 painéis solares da Motassis, que também ainda não foram recolocados.

“Só na semana passada é que tivemos um orçamento, porque tudo isto implica a retirada das estruturas, dos painéis, voltar a colocar, ainda vai demorar”, referiu.

Dina Mota congratulou-se por a empresa já ter recebido o apoio para salários do Instituto de Emprego e Formação Profissional: “Foram bastante céleres na aprovação e no pagamento de cerca de 75%, o que veio dar uma ajuda”.

Os responsáveis da empresa estão também a ver, junto da seguradora, no que esta poderá ajudar relativamente aos estragos das coberturas, “que representam um valor muito grande”.

“Já avançámos com algum dinheiro da nossa responsabilidade e tivemos a aprovação de um empréstimo bancário”, no âmbito da linha de crédito específica para o efeito lançada pelo Banco Português de Fomento, acrescentou Dina Mota, mostrando-se satisfeita por a empresa já conseguir ter “as contas mais equilibradas”.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

Notícias do Centro | Lusa

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