Leiria

No Pinhal do Rei corre-se contra o tempo para reduzir risco de incêndio

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 Várias equipas andam no Pinhal do Rei, no concelho da Marinha Grande, a limpar caminhos e aceiros, numa corrida contra o tempo para se reduzir o risco de incêndio antes de o verão chegar.

Vasco Fernandes, técnico florestal da Câmara da Marinha Grande, anda de tablet na mão a sinalizar caminhos ainda obstruídos pelas árvores que caíram no Pinhal do Rei, também conhecido como Pinhal de Leiria, depois da passagem da tempestade Kristin, na noite de 27 para 28 de janeiro.

Juntamente com Mário Silva, segundo-comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, palmilham os hectares de terrenos privados de uma mancha florestal que, naquele concelho, é sobretudo pública e gerida pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

No tablet, os pontos vermelhos que sinalizam os caminhos obstruídos ainda são muitos, mas Vasco Fernandes nota o bom ritmo do trabalho que tem sido feito.

Quatro equipas de cinco elementos de diferentes forças e entidades (Força Especial de Proteção Civil, sapadores do ICNF, Forças Armadas e as corporações de bombeiros locais) andam a desimpedir 115 quilómetros de caminhos florestais considerados estruturantes e prioritários de um total de quase 300, apenas em zonas de terrenos privados.

“Já está cerca de metade do trabalho feito. Com a capacidade de trabalho que temos no território, nas próximas duas semanas conseguimos ter os caminhos estruturantes desimpedidos”, disse à agência Lusa o engenheiro do Gabinete Técnico Florestal do município.

O técnico reconhece que, mesmo com os trabalhos a correrem bem, a intervenção é uma corrida contra o tempo, face àquilo que encontram no terreno.

“Agora a carga de combustível [com árvores caídas no chão] é maior, o que vai fazer com que os incêndios, se tivermos um verão bastante quente, possam ganhar uma dimensão maior, com mais intensidade e com maior velocidade de propagação. É fundamental esta primeira intervenção ser ainda mais rápida e mais eficaz”, vincou.

O segundo-comandante dos Bombeiros da Marinha Grande partilha da apreensão: “Estamos sempre preocupados com o verão, quando no ano anterior não arde. Agora, estamos extremamente preocupados porque toda a carga térmica está no chão”.

“Esperamos que grande parte dos caminhos estejam desimpedidos, mas temos a consciência de que não se vai conseguir fazer tudo até à dita época de incêndios”, afirmou Mário Silva, referindo que se está a fazer “o possível” antes do verão chegar.

O trabalho no terreno, notou, também não é fácil, com árvores caídas como se alguém tivesse andado a jogar ‘mikado’ com elas, o que dificulta a sua remoção.

A tarefa, afirma Vasco Fernandes, “é hercúlea”, estando ainda previstas limpezas junto às zonas industriais e vias municipais – só aí serão cerca de 200 hectares de trabalhos já adjudicados pelo município.

“Mas aquilo que normalmente seria uma tarefa de manutenção da faixa de gestão de combustível, agora é de remoção de madeira, que leva os custos de intervenção a triplicarem”, constatou.

Otávio Ferreira, engenheiro silvicultor que trabalhou no ICNF desde 1978 até 2018, quando se aposentou, e com muitas décadas no Pinhal de Leiria, resume o cenário que vê por ali: “Tudo o que havia – os 1.200 hectares de árvores que não arderam em outubro de 2017 – partiu ou foi arrancado do chão”.

Para o futuro, entende que é preciso um trabalho de manutenção do Pinhal do Rei, recordando que depois dos incêndios de 2017 muitos pinheiros que regeneraram naturalmente não vingaram, por terem sido abafados pelo mato que cresceu livremente.

“Quando eu entrei em 1978, trabalhavam no Pinhal de Leiria 200 pessoas. Quando saí, em 2018, eram 20. Não há pessoal, não há orçamento e não há capacidade de decisão”, critica.

No imediato, o engenheiro defende a retirada do arvoredo caído “o mais rápido possível”, admitindo que a indústria não terá capacidade para absorver “tanta madeira”.

“A urgência não é limpar tudo, mas desobstruir caminhos e limpar 50 ou 100 metros de faixas de arvoredo tombado. Se se fizer isso, já é muito bom. Isso é urgente fazer-se”, vincou.

Para os próximos tempos, Otávio Ferreira espera pelo menos que o pinheiro-bravo se mantenha como predominante na zona e que haja “um serviço florestal capaz e com meios” para o Pinhal do Rei voltar a ser aquilo que viu em tempos.

Notícias do Centro | Lusa

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