O trompista Mickael Faustino está a lançar um projeto para levar música, teatro e outras artes a famílias com crianças da região de Leiria que tenham sido afetadas pela depressão Kristin.
“No meio do caos, precisamos de pensar já nas crianças”, explica o músico, recordando que esta calamidade surge quando “ainda se sentem as consequências da pandemia nos miúdos, que foram enormes”.
Mickael Faustino diz que está, “desde quarta ou quinta-feira”, dias 28 e 29 de janeiro, a pensar como ajudar a comunidade afetada. “Infelizmente não sou dotado para arranjar telhados e paredes, que é o mais essencial agora”.
“Mas como tenho feito muitos concertos didáticos, sessões e ateliês, pensei que, através da arte, poderia ajudar a aliviar um pouco os efeitos desta catástrofe. Porque se a música não cura ninguém, ajuda a aliviar alguma coisa”, disse à agência Lusa.
Por isso, lançou a iniciativa de fazer mini-concertos, pequenas peças de teatro ou outros momentos de curta duração para ajudar as famílias que estão em casa com crianças.
“Não sabemos quando as escolas vão abrir, por isso quero organizar alguma coisa para, durante uma ou meia hora, ajudar a distrair os mais novos”.
Mickael Faustino lançou um apelo à participação de outros artistas, a famílias que queiram fazer parte e a juntas de freguesias que estejam dispostas a receber o projeto.
“Já tenho vários interessados em receber-nos e em participar”, como um clarinetista, um saxofonista e também Surma.
Há ainda psicólogos infantis interessados em participar e uma animadora social da associação InPulsar vai acompanhar as sessões.
“Está a ser bonito que as pessoas que não conseguem ajudar da forma que era mais preciso, como levantar paredes e fechar telhados, queiram colaborar à sua maneira”.
Mickael Faustino desconhece a adesão terá a iniciativa: “Se calhar vamos ter, em algumas vezes, duas ou três crianças, outras 50, mas não interessa. Queremos é chegar ao máximo número de freguesias, para as pessoas terem um momento diferente”, sublinhou o organizador.
As atuações começam na quarta-feira, em Marrazes e Barosa, no concelho de Leiria, com o próprio Mickael Faustino. Outros momentos estão a ser agendados para outras freguesias de Leiria e também do concelho de Pombal.
“Não sabemos durante quanto tempo vai durar. Queremos angariar mais pessoas, para ver onde conseguimos ir. Queremos chegar o mais longe possível”, concluiu o músico.
Os artistas interessados em juntar-se à iniciativa podem inscrever-se pela página de Instagram de Mickael Faustino.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.











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