O Ministério Público abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de uma mulher, de 79 anos, nas urgências no Hospital de Santo André, em Leiria.
Fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria esclareceu que não foi notificada, até à data, pela instauração de um inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República.
“Eventualmente, o inquérito decorre de um certificado de óbito sem causa de morte (BIC – Boletim de Informação Clínica Circunstancial), esclareceu.
De acordo com o filho, a idosa, residente em Leiria, deu entrada no serviço de urgência geral do Hospital de Santo André, pelas 17:20 de dia 21 de dezembro de 2025.
Nesse dia, após o almoço, devido às suas queixas respiratórias e pelo facto de apresentar febre, o homem mediu-lhe a saturação do oxigénio, que revelou valores abaixo do mínimo saudável.
Contactada a Linha Saúde 24, a situação foi encaminhada para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes, que enviou uma ambulância. Após avaliação, à utente foi colocada uma máscara de oxigénio até ser transportada ao hospital, referiu o filho.
“A minha mãe levava o telemóvel com ela. Pelas 18:30, liguei-lhe e não me atendeu. Mandei SMS e não respondeu. Dirigi-me ao hospital para saber informações, mas disseram-me que tinha de esperar três ou quatro horas”, revelou o filho, que pediu para não ser identificado.
Poucos minutos antes das 21:00, o homem foi de novo à unidade de saúde e uma enfermeira explicou-lhe que a mãe estava com a pulseira verde a aguardar no corredor da sala de espera para ser observada.
“Pediu-me que esperasse junto ao segurança, para que eu pudesse estar um pouco com ela”, adiantou.
Cerca de dez minutos depois, a enfermeira pediu ao filho que voltasse a entrar no gabinete de informações e voltou com um médico.
“Disse-me que a minha mãe tinha dado entrada com insuficiência respiratória avançada e que entrou em paragem cardiorrespiratória. Tentaram reanimá-la e não conseguiram”, relatou.
Quando se dirigiu à mãe, constatou que o corpo estava frio. “Não fazia sentido estar tão frio se tivesse morrido às 21:02, como foi registado”, desabafou.
“Estranhei que me tenham indicado a causa da morte e não o tenham escrito no relatório”, disse o filho, que já foi ao Ministério Público (MP) prestar declarações.
O filho disse que pode ter havido negligência na triagem e referiu que aguarda o relatório final da autópsia para decidir se avança com uma queixa-crime contra a ULS.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, “confirma-se a instauração de um inquérito, tendo o Ministério Público determinado a realização da autópsia médico-legal”.
Em resposta à Lusa, a ULS explicou que o processo de triagem “foi efetuado de acordo com o protocolo em vigor e com base na avaliação clínica realizada no momento da admissão da utente”.
“Relativamente às afirmações produzidas quanto ao momento da observação clínica, informa-se que no momento em que o familiar solicitou informações, a doente já se encontrava na sala de emergência, onde estavam a encetar todos os esforços de reanimação. O filho foi informado presencialmente pelo médico sobre todos os procedimentos”, acrescentou a ULS.
Segundo o conselho de administração, “foram cumpridos os procedimentos adequados e protocolares de acordo com as boas práticas”.













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