Cerca de 30 trabalhadores da fábrica de conservas de peixe ESIP, de Peniche, concentraram-se hoje em frente à empresa, cumprindo um dia de greve para reivindicar aumentos salariais e melhores condições de trabalho.
“O aumento do salário e o aumento do subsídio de alimentação” são as principais reivindicações dos trabalhadores que aderiram ao protesto convocado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Setores Alimentar, Bebidas, Agricultura, Aquicultura, Pesca e Serviços Relacionados (STIAC), e que, segundo o coordenador nacional Marcos Rebocho, contou com uma adesão “na ordem dos 50%”.
A greve foi marcada depois de em janeiro os trabalhadores terem entregado à empresa, do Thaí Union Group, um abaixo-assinado manifestando “profundo descontentamento com as atuais condições laborais”, o qual, segundo Marcos Rebocho, “não teve sequer resposta”.
Os trabalhadores exigem, sobretudo, “aumentos salariais dignos e o aumento do subsídio de refeição” que nos últimos 17 anos aumentou 1,48 euros, “o que dá oito cêntimos por ano”, de acordo com uma moção aprovada hoje no piquete de greve e entregue à empresa.
“Neste momento [o subsídio de alimentação] é 4,56 euros, e foi porque este ano subiu 50 cêntimos”, explicou Marcos Rebocho, lembrando que o valor era, até então, 3,70 euros, fazendo desta a empresa do setor que “pratica o subsídio de alimentação mais baixo”.
Dos cerca de 600 trabalhadores “a maioria ganha o salário mínimo nacional”, outro dos focos de descontentamento, segundo o dirigente sindical, que tem tentado negociar com a empresa um caderno reivindicativo que, além de aumento salariais e do subsídio de alimentação para oito euros, a progressão na carreira, o dia de aniversário do trabalhador ou dos filhos até aos 12 anos, 25 dias de férias, o gozo do dia nacional da conserveira e melhores condições de trabalho.
Reivindicações expressas na moção entregue hoje por Paula Mira à direção de recursos humanos. E que ficou, “mais uma vez, sem resposta, porque nos disseram apenas para aguardar, sem dar qualquer prazo para responder”, disse.
Trabalhadora na ESIP há sete anos a também delegada sindical disse à Lusa que “a empresa tem condições para avançar com estes aumentos, porque vende milhares de conservas para o mercado nacional e para exportação”, pelo que “não se compreende esta falta de vontade em dar melhores condições aos trabalhadores”.
Depois desta greve os trabalhadores têm marcado um novo plenário para março no qual “serão decididas novas ações de luta”, disse Marcos Rebocho.
A Lusa contactou a empresa mas não foi possível obter quaisquer esclarecimentos.











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