Aveiro

Falta de meios humanos contribui para aumento de pendências na Comarca de Aveiro

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O Ministério Público (MP) da Comarca de Aveiro reduziu em cerca de 55% os inquéritos pendentes anteriores a 2022, mantendo-se contudo a tendência de aumento das pendências gerais em 2025, devido sobretudo à falta de meios humanos.

O Relatório Anual da Atividade do MP na Comarca de Aveiro de 2025, consultado hoje pela agência Lusa, refere que os inquéritos anteriores a 31 de dezembro de 2022 passaram de 1973, em 2024, para 876, em 2025, o que representa uma diminuição de 55,60%.

Apesar disso, verificou-se um agravamento da pendência, já verificado em 2024, uma vez que o número de inquéritos entrados (26.035) voltou a superar os processos findos (24.788), o que indica uma taxa de resolução de 95,21%.

Esta situação fez aumentar o número de processos pendentes de 17.400, em 2024, para 18.647, em 2025.

Do total de inquéritos que transitaram de 2025 e se encontram pendentes para 2026, 9.097 estão pendentes há mais de oito meses, o que representa um ligeiro agravamento na demora da tramitação processual até à prolação do despacho final.

As secções de Anadia, Arouca, 3.ª secção de Aveiro, Castelo de Paiva, Ílhavo, Mealhada, Ovar e 1.ª e 2.ª secções de Santa Maria da Feira foram as únicas onde se verificou uma redução destes inquéritos.

A duração média dos inquéritos no ano de 2025 situou-se nos 8,71 meses, aumentando ligeiramente relativamente ao ano de 2024 (8,53 meses). O caso mais grave verifica-se no Departamento de Investigação e Ação Penal de Anadia, onde este valor é de 379 dias.

A percentagem de acusações diminuiu ligeiramente face ao ano transato, passando de 13,06%, em 2024, para 12,16%, em 2025.

Em matéria de fenómenos criminais, verifica-se em 2025 uma diminuição da criminalidade relacionada com acidentes de trabalho não mortais (de 174 para 24), da cibercriminalidade (de 1869 para 1.180), e crimes estradais (de 737 para 383).

Por outro lado, houve um significativo aumento de entradas de crimes fiscais (de 319 para 520) e da criminalidade organizada ou grupal (de 157 para 313) e a violência conjugal ou equiparada (de 2.194 para 2.369), sendo cada vez mais os inquéritos por crimes desta natureza de que são vítimas homens.

Foram realizados e findos 4.725 julgamentos (alguns dos quais se estenderam por inúmeras audiências), dos quais 3.353 terminaram em condenações (totais ou parciais), o que representa 87% dos processos findos, tendo-se registado 437 absolvições. Os findos por motivos diversos cifram-se nas 935 decisões, sendo que a grande fatia se refere a desistências da queixa legalmente admissíveis.

O coordenador do MP de Aveiro, Adão Carvalho, dá ainda conta das dificuldades agravadas que a Comarca teve com a falta efetiva de magistrados e funcionários, sobretudo por força de ausências prolongadas por doença, gravidez de risco, licenças de parentalidade e outros motivos, defendendo a colocação de, pelo menos, mais cinco Procuradores da República, para além do quadro existente.

“Sem esse reforço, claramente imprescindível e inadiável, numa comarca com a dimensão da de Aveiro e com as pendências existentes, será impossível, mesmo com o já hercúleo esforço todos os anos exigido aos magistrados, ir muito além de uma estabilização de pendências, sem qualquer recuperação possível e com claro prejuízo para os cidadãos”, refere a mesma nota.

Em termos de equipamentos, verificam-se insuficiências ao nível dos sistemas de gravação áudio e vídeo das declarações de testemunhas em sede de inquérito–criminal e noutro tipo de processos do MP e digitalizadores de alto rendimento para tornar exequível o processo de desmaterialização processual.

O coordenador alerta ainda para a deterioração e antiguidade de muitos edifícios dos tribunais, alguns com problemas estruturais graves, destacando o caso do Tribunal do Trabalho de Oliveira de Azeméis, com infiltrações de humidade pelas paredes e fendas nas paredes, que apresentam fungos e elevada humidade, uma situação reportada em 2021 e que só agora está a ser objeto de intervenção.

O edifício do Tribunal de Arouca apresenta deficiências e infiltrações graves ao nível da cobertura, que se agravaram em 2025, e no Palácio da Justiça de Aveiro mantêm-se algumas fissuras ao nível da cobertura e fachada principal, aguardando-se intervenção corretiva.

Abrangendo os 19 concelhos do distrito, a Comarca de Aveiro é a quinta maior do país e a terceira do Distrito Judicial do Porto em volume total de serviço, tendo contado em 2025 com quase nove dezenas de magistrados do MP apoiados por 118 oficiais de justiça.

Notícias do Centro | Lusa

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