Aveiro

Estudo da Universidade de Aveiro revela como a igualdade de género funciona na vida familiar

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Apesar do amplo apoio público à igualdade de género, tanto no trabalho remunerado como no cuidado dos filhos, as responsabilidades familiares continuam, muitas vezes, a ser distribuídas segundo padrões tradicionais.

Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) analisou de que forma as tarefas domésticas e parentais são divididas em casais que partilham responsabilidades de forma igualitária, comparando-os com casais que seguem modelos “semitradicionais”.

“A nossa investigação ajuda a compreender como os casais que partilham responsabilidades de forma igualitária organizam o trabalho familiar e de que forma a segregação tradicional de papéis de género continua a manifestar-se, bem como o potencial que existe para aumentar a igualdade de género no contexto doméstico”, explica Mariana Pinho, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA.

O estudo, assinado também pelas investigadoras Inês Lourenço e Marisa Lousada, da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro, envolveu 154 pais com filhos entre o nascimento e os quatro anos, que responderam a questionários detalhados sobre a organização das tarefas domésticas e dos cuidados com as crianças.

Os resultados mostram que as mães em divisões semitradicionais continuam a realizar significativamente mais trabalho doméstico e cuidados infantis do que as mães em casais que partilham responsabilidades de forma igualitária. Por outro lado, os pais em casais igualitários participam muito mais nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos do que os pais em divisões semitradicionais.

Nos casais que dividem as responsabilidades de forma equilibrada, verificou-se um nível semelhante de envolvimento de mães e pais nas tarefas domésticas e nos cuidados com os filhos. “Estes níveis comparáveis de envolvimento evidenciam como alguns casais estão, na prática, a ‘desfazer o género’, isto é, a desafiar as expectativas tradicionais associadas aos papéis de homens e mulheres”, sublinha Mariana Pinho.

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