Uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro, que participou na expedição do projeto HACON no Ártico, está a investigar a composição da comunidade biológica do campo hidrotermal.
“Com os dados recolhidos na última missão vamos investigar a composição da comunidade biológica associada ao campo hidrotermal e tentar perceber a sua distribuição em relação às condições geoquímicas”, revelou Ana Hilário, uma das biólogas portuguesas que participou na expedição.
A equipa da Universidade de Aveiro está envolvida no projeto HACON desde a sua génese e participou nas duas missões à crista de Gakkel, em 2019 e em 2021.
“Nesta última estivemos envolvidos no planeamento dos mergulhos do [veículo controlado remotamente] ROV para a recolha de amostras biológicas, mas também de imagens de vídeo”, explica.
É através da análise do vídeo colhida, no caso da fauna de maiores dimensões, e de amostras de sedimento, no caso da fauna de menores dimensões, que os biólogos da Universidade de Aveiro procuram agora avançar no conhecimento sobre a comunidade biológica daquele campo.
“Vamos também estudar alguns aspetos do ciclo de vida destas espécies que nos permitam perceber porque é que são estas espécies e não outras que habitam esta região”, esclarece.
Segundo Ana Hilário, bióloga marinha e coordenadora da equipa do Centro de Estudo do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro, a última expedição ao Ártico “mostrou que é possível explorar grandes profundidades de baixo de gelo e abre as portas para futuras missões utilizando veículos subaquáticos”.
“Em termos científicos, esperamos resolver uma série de questões que foram identificadas há já vários anos, mas que por questões técnicas e/ou tecnológicas não tem sido possível responder”, aponta.
Uma das “grandes questões” ecológicas em torno das fontes hidrotermais, esclarece, é “se a fauna associada a esses sistemas no oceano Ártico é única, ou se pelo contrário é semelhante à que existe mais a sul, na crista meso-Atlântica, ou até à de regiões do Oceano Pacífico”.
“Os nossos dados vão fornecer conhecimento de base sobre esta região, que talvez seja das menos impactadas por atividades humanas, algo que provavelmente vai mudar devido à diminuição da cobertura de gelo”.
A exploração do mar profundo permitiu “amostrar e filmar um dos últimos ambientes verdadeiramente remotos e inacessíveis da Terra, bem abaixo da camada de gelo permanente no Oceano Ártico, a 82,5°N”.
O projeto HACON, no campo hidrotermal Aurora, 82,5°N, tem vindo a colher rochas, fluidos, sedimentos e fauna para estudos geológicos, geoquímicos, micropaleontológicos, microbianos, de meiofauna e macrofauna para compreender o funcionamento do oceano Ártico profundo.
A expedição HACON 2021 foi a primeira a explorar e amostrar em detalhe e com sucesso um ambiente tão único sob o gelo marinho polar permanente, abrindo o caminho para a futura exploração intern,acional da remota crista de Gakkel.
Na equipa do CESAM, para além de Ana Hilário, estiveram também no Ártico as investigadoras Sofia Ramalho e Lissette Victorero e a aluna de mestrado Carolina Costa, sendo a expedição, que decorreu de 28 de setembro a 21 de outubro, liderada pelo CAGE/uit (The Arctic University of Norway) e pelo NIVA (Norwegian Institute for Water Research).
No total participaram na expedição multinacional 28 cientistas, engenheiros e especialistas de comunicação, a bordo do navio quebra-gelo RV Kronprins Haakon para explorar as fontes hidrotermais, no campo hidrotermal Aurora, na crista de Gakkel, a quatro mil metros de profundidade, considerado um dos campos hidrotermais mais inacessíveis do planeta.











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