Coimbra

Coimbra: Teatrão e teatromosca criam peça que leva a atualidade a textos com 2.500 anos

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O novo espetáculo cocriado pelas companhias Teatrão e teatromosca, que estreia na quinta-feira, em Coimbra, parte de textos com 2.500 anos, procurando uma ligação entre a ruína de Tróia e a atualidade.

Pensada a partir de “As Troianas” e “Hécuba”, de Eurípedes, a peça está voltada para a angústia sentida hoje por cada indivíduo diante de tragédias que assolam a humanidade, levando atualidade às questões abordadas pelo autor grego.

O espetáculo “Dói-me o corpo de jazer nessa esperança”, um texto de Jorge Palinhos, com encenação de Marco António Rodrigues, é o primeiro criado em conjunto pelas duas companhias e será exibido em Coimbra e em Agualva-Cacém (Sintra).

De acordo com Marco António Rodrigues, tendo como base dois textos fundadores do teatro universal, “As Troianas” e “Hécuba”, há um interesse em “perceber a atualidade da questão do Eurípedes”.

O autor era “um pacifista” e posicionou-se contra a ideia da constituição do Estado grego na forma em que estava a dar-se, através da colonização.

“E isso tem a ver com o hoje […]. O lugar que a sociedade está [atualmente] é muito semelhante a este [do período do autor grego], dois mil e quinhentos anos depois”, apontou.

A peça trabalhada pelas duas companhias evoca a ideia de que a tragédia “não é um fardo ou destino”, apontando para a possibilidade “do indivíduo ‘reexistir’, reconstituir algum outro mundo, ter algo que não há hoje: a utopia”, defendeu.

O responsável salientou ainda a inspiração em histórias da contemporaneidade, incluindo algumas palestinianas e indígenas brasileiras, que não estarão presentes na peça, mas fazem parte do substrato por detrás da criação, e a da ativista e antiga presidente camarária de uma província afegã, Zarifa Ghafari, essa sim representada no espetáculo.

Para a diretora artística do Teatrão, Isabel Craveiro, o trabalho está relacionado com a angústia e a dimensão da mesma “calibra muito as coisas” que os artistas vão pesquisar.

A também intérprete da peça relembrou os três períodos de residência pelo país, onde foram feitos diferentes estudos e criadas as bases para alcançar o resultado apresentado ao público.

“Dói-me o corpo de jazer nessa esperança” estreia no Teatrão, em Coimbra, e permanece em cartaz até 23 de novembro, partindo posteriormente para o palco do Auditório Municipal António Silva (AMAS), em Agualva-Cacém, de 27 de novembro a 06 de dezembro.

O espetáculo de cerca de 90 minutos conta com sessões com interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP), nos dias 13 e 21 de novembro, e com audiodescrição, a 19 e 23 do mesmo mês.

Além da nova criação, foi desenhado um conjunto de atividades paralelas à volta da temática do espetáculo.

Hoje, a Oficina Municipal do Teatro (o Teatrão) acolhe a conversa “Neoliberalismo, e agora?”, com o convidado João Rodrigues, professor auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais, com moderação de André Barata, filósofo de formação e professor na Universidade da Beira Interior.

O lançamento da banda sonora original do espetáculo, no dia 13 de novembro, na Casa das Artes Bissaya Barreto, em Coimbra; e uma sessão de cinema de “O Quadrado”, de Ruben Östlund, e ‘cocktail party’, no dia seguinte, no AMAS, são algumas das outras iniciativas previstas.

Notícias do Centro | Lusa

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