A Coligação Democrática Unitária (CDU) de Castelo Branco propõe que os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) suportem o custo do consumo de água nas localidades do concelho que foram afetadas pelos incêndios rurais.
Numa nota enviada hoje à agência Lusa, a CDU alerta para a necessidade de medidas de emergência para mitigar sofrimentos e danos e garantir os apoios necessários às vítimas e ao renascimento das atividades atingidas.
“Assim, para além das medidas que vierem a ser tomadas pelo Governo, a CDU propõe desde já que os Serviços Municipalizados de Castelo Branco suportem o custo do consumo excessivo de água e respetivas componentes indexadas que as populações e entidades residentes nas freguesias onde lavraram as chamas foram obrigados a consumir para ajudar a proteger vidas e bens e auxiliar os bombeiros”.
Nesse sentido, apela à Câmara Municipal de Castelo Branco para, em articulação com as juntas de freguesia, delinear o mapa das áreas abrangidas, calcular o valor médio dos consumos anteriores e isentar os afetados do pagamento de qualquer excedente, que deverá ser deduzido na próxima fatura.
“É preciso garantir que ninguém será penalizado. Esta é uma medida para minimizar os custos com os consumos de água que evitaram danos maiores no concelho e para reconhecer o esforço solidário de todos”.
Segundo a CDU, a medida está ao alcance do município de Castelo Branco para minimizar o prejuízo que as populações afetadas sofreram com os recentes incêndios.
O relatório, com a última atualização de área ardida feita no domingo, confirma que este incêndio que começou em Arganil apresenta a maior área ardida de sempre em Portugal desde que há registos, ultrapassando a anterior marca do fogo que começou em Vilarinho, no concelho da Lousã, em outubro de 2017, que tinha atingido 53 mil hectares.
De acordo com o relatório provisório do SGIF, Guarda, Viseu e Castelo Branco são os distritos com mais área ardida.
Covilhã (20.257), Sabugal (18.726) e Trancoso (17.239 hectares) são os concelhos mais afetados pelos incêndios em relação à área ardida, seguindo-se Sernancelhe, Mêda, Arganil e Penedono, todos municípios com mais de 10.000 hectares ardidos.
Na quarta-feira, o investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Paulo Fernandes já antevia que o incêndio de Arganil poderia ser o maior incêndio de sempre em Portugal, considerando que aquele fogo tinha as condições para se tornar grande.
O incêndio começou de madrugada, a partir de dois raios, numa cumeada de difícil acesso, propagando-se muito rapidamente nas primeiras horas, afirmou à agência Lusa o especialista em incêndios e membro das comissões técnicas de análise aos grandes incêndios de 2017.
O incêndio progrediu num território de difícil acesso e numa região que arde sucessivamente, havendo “um contínuo de vegetação cada vez mais homogéneo” que contribui para a progressão do fogo, explicou.












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