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Casa de Artes em Vila Velha de Ródão recebe a “presença” do homem de Neandertal

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Foi inaugurada no dia 23 de junho, na Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Ródão, a exposição “Desenvolver Ródão, conhecer o passado, a chegada e a extinção do homem de Neandertal”, que dá conta dos trabalhos de investigação do património arqueológico da região, que levaram à identificação de dezenas de sítios arqueológicos datados do Paleolítico e dão a conhecer Vila Velha de Ródão como bom exemplo de colaboração entre entidades e a riqueza que daí adveio.
A sessão contou com a presença do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, do presidente do município de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, do representante da Associação de Estudos do Alto Tejo, Jorge Gouveia, de Telmo Pereira, professor e investigador da Universidade Autónoma de Lisboa e da coordenadora Autónoma Edições, Raquel Cabeças, em representação da Reitoria da Universidade Autónoma de Lisboa.
Tendo como ponto de partida os trabalhos de identificação e preservação do Sítio de Cobrinhos, identificado em 2014, aquando da ampliação da atual fábrica de papel da Navigator, a exposição incide também sobre os trabalhos desenvolvidos no Monte da Revelada e do Alto da Revelada, durante os trabalhos obrigatórios de minimização de impacto ambiental na construção das unidades industriais da Paper Prime, SA e da Roclayer – Plastificadora do Ródão, SA, tidos como “um exemplo paradigmático de como o empenho e a colaboração entre as diversas entidades envolvidas nesta área – o município, as empresas e a academia – permite conciliar o desenvolvimento do concelho e a preservação do património histórico, cuja defesa e valorização consideramos ser fundamental para a projeção do concelho”, como sublinhou Luís Pereira.
A investigação realizada permitiu a identificação e o estudo dum conjunto de artefactos que documentam o período fascinante e ainda pouco conhecido da história da humanidade, em que o homem de Neandertal habitou o território que é hoje o concelho de Vila Velha de Ródão, e levou à publicação da monografia “Cobrinhos e os primeiros Neandertais em Portugal”, que vai já na segunda edição e é agora publicada pela Autónoma Edições, assim como à criação da presente exposição itinerante, que vai levar até às escolas, bibliotecas e universidades do nosso país a história das descobertas arqueológicas em Vila Velha de Ródão, como explicou Telmo Pereira, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e um dos responsáveis por esta investigação.
O futuro da arqueologia em Vila Velha de Ródão passa pela integração na Rota Europeia dos Neandertais, que está a ser desenvolvida por académicos e gestores culturais no projeto “iNEAL: Integrando o legado neandertal: do passado ao presente”, no qual Telmo Pereira foi convidado a participar.
“O objetivo é criar uma rota europeia com os sítios mais emblemáticos sobre os Neandertais e Vila Velha de Ródão é o melhor sítio em Portugal para se fazer este trabalho. É uma região riquíssima para compreender a ciência e a evolução da paisagem e da vida do ser humano, pelo que faz sentido que seja partilhada não só com os cientistas, mas com o público em geral, e possa contribuir para o desenvolvimento do turismo do interior”, explicou Telmo Pereira.
No mesmo sentido, também Jorge Gouveia, da Associação de Estudos do Alto Tejo, destacou a temática inovadora a que a exposição dá corpo como um bom exemplo do que pode ser feito numa perspetiva de aliar a divulgação do património histórico e cultural ao turismo e exprimiu o desejo de “poder ver ser estabelecida, apoiada e alargada a toda a nossa área territorial de intervenção a parceria virtuosa que se desenvolveu no concelho e conjuga a união de esforços das associações de defesa do património, da academia, da autarquia rodense e das empresas, que souberam compreender que o conhecimentos do passado e a sua preservação devem andar de mãos dadas quando se trata do desenvolvimento do país e em especial do interior”.
Saudando também o trabalho de parceria entre estas entidades e o seu contributo para a valorização, preservação e a divulgação do património deste concelho, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, destacou que “Vila Velha de Ródão tem natureza e tem cultura, um legado riquíssimo e essencial para podermos continuar a transformar o turismo com base na autenticidade e no legado histórico”, assegurando o empenho da tutela em contribuir para o desenvolvimento do turismo no concelho e na região.
A exposição “Desenvolver Ródão, conhecer o passado, a chegada e a extinção do homem de Neandertal” está patente na Casa de Artes e Cultura do Tejo, até ao final de agosto, onde pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 9:00 e as 17:30.

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