Guarda

Câmara de Celorico da Beira diz que barragem da Cabeça Alta resolveria problemas

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O presidente da Câmara de Celorico da Beira, Carlos Ascensão, disse hoje que a construção da barragem da Cabeça Alta, naquele município, é uma “questão velha”, que resolveria o problema do abastecimento de água no concelho.

“No caso de Celorico da Beira, [a construção da barragem] já é uma questão velha, que já vem do tempo do engenheiro Faria de Almeida, que foi retomada pelo presidente [de Câmara] seguinte, doutor Júlio Santos, e nós, obviamente, também estamos atentos”, declarou o autarca.

Carlos Ascensão falava à agência Lusa sobre o assunto, após o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, ter defendido, na segunda-feira, o retomar do processo de construção de uma barragem no concelho de Celorico da Beira, para evitar descargas no rio Mondego a partir da barragem do Caldeirão.

“Estivemos muitos anos parados na necessária revisão do planeamento estratégico das reservas de água do nosso país. É mais do que tempo para voltar a colocar em cima da mesa, 40 anos depois, a barragem da Cabeça Alta, em Celorico da Beira, para abastecimento de água àquele concelho e a parte do concelho de Fornos de Algodres”, disse o autarca, na apresentação das “Medidas de Contenção Fundamentais para a Moderação dos Consumos de Água no Concelho da Guarda”.

Segundo Sérgio Costa, a construção da barragem evitaria “a necessidade das descargas no rio Mondego a partir da barragem do Caldeirão [que abastece a cidade e o concelho da Guarda], para enchimento dos açudes que abastecem aquelas populações, tal como teve de acontecer há poucas semanas, o que levou a que a barragem do Caldeirão entrasse na fase crítica”.

“Há muitos técnicos da área, e não só, que defendem que esta barragem já devia estar construída há muitos anos. E é tempo de retomarmos esta necessidade”, justificou.

O autarca de Celorico da Beira considerou que a opinião de Sérgio Costa “legitima mais” a posição do seu município.

Carlos Ascensão concorda que a construção de uma barragem na ribeira da Cabeça Alta, no concelho, resolveria o problema do abastecimento de água em Celorico da Beira e no vizinho concelho de Fornos de Algodres, que está “muito dependente do rio Mondego”.

A ribeira da Cabeça Alta “tem um curso normalmente abundante” de água e a zona de confluência de Prados, Rapa e Cadafaz “é um ponto excelente” para se fazer uma barragem.

O responsável lembrou que, devido à seca, algumas localidades do seu concelho já estão a ser abastecidas pelos bombeiros, o que justifica a criação de novos “pontos de armazenamento de água” no território.

A construção da barragem da Cabeça Alta permitiria “diminuir a pressão sobre a barragem do Caldeirão” e serviria para abastecer não só o seu concelho, como também os vizinhos municípios de Fornos de Algodres e de Gouveia, apontou.

O presidente da autarquia de Celorico da Beira referiu, ainda, que no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o município sinalizou a construção da referida barragem, “porque é uma questão que já se justificava antes [da seca] e que hoje se justifica muito mais”.

A seca prolongada no continente está a afetar as culturas, levou a cortes no uso da água e obrigou aldeias a serem abastecidas com autotanques.

Desde outubro de 2021 até agosto choveu praticamente metade do que seria o normal, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O IPMA colocava no final de julho 55,2% do continente em situação de seca severa e 44,8 em situação de seca extrema. Não havia nenhum local continental que estivesse em situação normal, ou em seca fraca ou mesmo em seca moderada.

Notícias do Centro | Lusa

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