As eleições para comissão política concelhia do PSD da Guarda foram impugnadas pelo candidato derrotado, Júlio Santos, por alegadamente terem sido detetados boletins de voto a mais face ao número de votantes validados, disse hoje o próprio.
Pedro Nobre, da lista B, venceu o escrutínio realizado no sábado para a comissão política, com 87 votos, mais um do que Júlio Santos, que se recandidatava a um segundo mandato.
Houve ainda quatro votos brancos e dois nulos.
A lista B também ganhou para a mesa da assembleia de secção com 86 votos, mais quatro do que a lista G, tendo sido registados cinco votos nulos e dois brancos.
Feitas as contas, foram validados 179 votos para a comissão política concelhia, mais dois do que o número de votantes, e 175 para a mesa da assembleia – menos dois.
A situação resultou na impugnação das eleições por parte de Júlio Santos, que alegou “graves irregularidades, evidenciadas na recontagem dos votos com a existência de boletins a mais”.
“Do total de votos apurados, tendo surgido dois boletins que poderiam interferir diretamente no resultado, entende-se que a única forma de clarificar um resultado final coerente e consistente com a vontade dos militantes é através da repetição da eleição”, considerou o atual líder da concelhia, Júlio Santos, em comunicado enviado à agência Lusa.
O social-democrata acrescentou que “a contagem tem de corresponder às votações”.
“Não podem surgir boletins a mais ou a menos”.
Esclareceu também que a lista G é “completamente alheia às irregularidades que ficaram patentes” e ressalvou que quer um resultado que “evidencie a vitória expressiva de uma ou de outra lista” nestas eleições concelhias.
Também Pedro Nobre já reagiu e realçou que a lista B venceu “para a mesa da assembleia por uma margem de quatro votos e para a comissão política concelhia por uma margem de um voto”.
“O ato eleitoral realizado no passado dia 28 [de fevereiro] foi decidido pela vontade clara dos militantes”, constatou o candidato em comunicado enviado à agência Lusa.
Através do documento, o antigo deputado municipal adiantou também uma possível explicação para o sucedido, afirmando que “a mesa eleitoral terá entregue a dois eleitores boletins em duplicado destinados à comissão política de secção, em vez de um boletim para a mesa e outro para a comissão política”.
“Este erro não é imputável aos militantes, mas sim a quem tinha a responsabilidade de conduzir o ato eleitoral”, sublinhou Pedro Nobre.
“Na contagem dos votos válidos, a lista B venceu. É uma verdade objetiva e matemática. Venceu legitimamente”.
O caso segue para o Conselho de Jurisdição do partido, com Pedro Nobre a dizer que confia “nas decisões independentes” dos órgãos de jurisdição do PSD.
“A democracia exige responsabilidade. Exige respeito pela decisão livre dos militantes. Exige saber ganhar – e saber perder. Respeitar os resultados é respeitar os militantes, o PSD e a democracia”, concluiu.













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