Tribunal de Coimbra vai julgar um homem de 31 anos que é acusado de 49 crimes de burla em vendas anunciadas no Facebook, sobretudo de automóveis, e que pode ter arrecadado mais de 230 mil euros.
O suspeito, residente no concelho de Tábua, começa a ser julgado em 03 de junho e está acusado pelo Ministério Público de 49 crimes de burla qualificada (47 na forma consumada e dois na forma tentada), quatro crimes de uso de documento de identificação alheio, três de falsificação de documentos e um crime de branqueamento.
A maioria do dinheiro conquistado alegadamente através de burlas terá sido gasto em jogo – online e em casinos – pelo homem, que estava preso preventivamente aquando da acusação do Ministério Público.
De acordo com a acusação a que a agência Lusa teve acesso, o arguido é suspeito de, entre o início do ano de 2021 e julho de 2023, se dedicar a anunciar na rede social Facebook a venda de diversos bens de que não era proprietário, sobretudo automóveis.
Naquela plataforma, o jovem terá arrecadado cerca de 232 mil euros a diversas pessoas de diferentes pontos do país, tendo conseguido uma média de quase cinco mil euros por cada negócio.
O arguido usava contas bancárias suas ou de terceiros, afirmou o Ministério Público (MP). Há outros três arguidos no processo – um reformado, uma desempregada e uma operária fabril – que são julgados por fornecerem as suas contas mediante pagamento.
Depois de num momento inicial usar a sua própria identificação, o arguido terá começado a criar perfis falsos para fazer os anúncios, aproveitando imagens retiradas de outras publicações de venda de bens, dizendo, em alguns casos, ser proprietário ou revendedor de empresas reais (recorria a imagens ou logótipos dessas mesmas firmas).
Segundo o MP, para conseguir dar informações mais detalhadas a interessados, o arguido chegava a telefonar para um ‘stand’ próximo da sua zona de residência e alegava estar interessado nos veículos, de forma a ter dados que posteriormente passava às pessoas que acediam aos seus anúncios.
Em alguns momentos, o arguido terá recorrido a documentos forjados, simulando declarações de compra e venda em nome de stands de automóveis.
Inicialmente, começou por anunciar bens de menor valor (telemóveis, bicicletas e piscinas), por algumas centenas de euros, mas mais tarde passou a dedicar-se ao anúncio de venda de automóveis, por vários milhares de euros.
O homem, sem atividade remunerada conhecida desde 2021, terá gastado grande parte do dinheiro recebido nas burlas nos casinos da Figueira da Foz, da Póvoa de Varzim e de Espinho, contou o MP.
No processo, é também feita referência a contas de casinos online, um deles ilegal em Portugal, com os montantes a serem aplicados em apostas ou resgatados posteriormente para contas bancárias.
O arguido é reincidente, tendo já sido condenado por burla associada a venda de telemóveis noutros sete processos transitados em julgado, seis dos quais condenado a penas de multa e um deles a seis meses de pena de prisão suspensa (o mais recente).
Além desses sete processos que já transitaram em julgado, o arguido está acusado noutro processo de um crime de burla qualificada na venda de um automóvel e esteve envolvido noutros cinco processos que acabaram arquivados por desistência da queixa ou por reparação dos prejuízos.
Correm ainda outros três inquéritos relacionados com o mesmo tipo de crime, informou o MP.
De acordo com a acusação de mais de 100 páginas, o arguido, declarado insolvente em outubro de 2022, terá assumido a prática dos factos em interrogatório judicial.










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