O apoio à região de Leiria, bastante afetada pela depressão Kristin, está a ser agilizado nos ‘sites’ SOSLeira e TempestadeSOS, criados para reunir pedidos e ofertas de ajuda, existindo também recolha de donativos na plataforma GoFundMe.
Entre os pedidos de ajuda das populações afetadas pela tempestade Kristin, destacam-se as situações de danos no telhado de habitações, com pessoas a pedirem lonas, telhas e mão-de-obra para ajudar nas reparações, segundo relatos nos ‘sites’ SOSLeiria (www.sosleiria.pt) e TempestadeSOS (www.tempestadesos.com).
“Estou sem telhas em parte do telhado. Não temos mão-de-obra que vá tratar do assunto e eu não consigo. Além disso a janela do sótão partiu e está uma piscina lá dentro que já faz com que a água consiga entrar dentro casa. Estamos com água a cair dentro de três quartos. Precisamos de mão-de-obra”, lê-se num dos pedidos de ajuda publicados no ‘site’ SOSLeiria, com os contactos da pessoa e a morada.
Estes ‘sites’ fazem o ‘match’ entre quem precisa de ajuda e quem está disponível para ajudar.
“Depois de uma tempestade, o mais urgente é chegar ao essencial: energia, água, comunicações, abrigo e transporte. Pede ajuda em dois minutos ou oferece apoio – e ligamos pessoas da mesma zona”, lê-se no ‘site’ TempestadeSOS.
Nas redes sociais, inclusive Facebook e Instagram, também se mobilizam ações de solidariedade para com as zonas afetadas pela depressão, com a recolha de donativos por parte de pessoas individuais, empresas, associações e autarquias de várias zonas do país.
A iniciativa “Reconstruir Leiria – Grupo de entreajuda comunitária”, promovida no Facebook – https://www.facebook.com/groups/1330759972405123/ -, está também a reunir pedidos e ofertas de ajuda.
Há quem sinalize que tem “telhas para dar a quem foi afetado pelo temporal, perto de 100 telhas”, e também quem disponibilize mão-de-obra, como a empresa Varandas e Contrastes, com sede em Lisboa, que indica que tem uma equipa de construção civil disponível para ajudar os mais vulneráveis, de forma gratuita.
Há empresas que estão a oferecer lonas para tapar telhados danificados, nomeadamente a Fullquest Comunicação & Marketing (217 923 718 e 914 688 611) e a Smile Comunicação (263 711 413).
Na plataforma GoFundMe, há mais de 500 iniciativas de recolha de donativos para apoiar a região de Leiria a fazer face aos prejuízos da tempestade, entre as quais uma campanha da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria para reconstruir o quartel, tendo já arrecadado 47.602 euros da meta definida de 60 mil euros.
De vários pontos do país, as autarquias também estão a promover ações para ajudar a região Centro, como é o caso da Câmara Municipal de Elvas, distrito de Portalegre, que está a apelar à doação de materiais de construção para ajudar as populações afetadas pelo mau tempo na zona de Leiria e Marinha Grande, indicando que os materiais devem ser depositados no Centro de Negócios Transfronteiriço.
Na sub-região do Médio Tejo, no distrito de Santarém, há apoios solidários para a população ribatejana afetada pela tempestade, mas também para a região de Leiria.
Por exemplo, em Tramagal, concelho de Abrantes, um grupo espontâneo de voluntários mobilizou-se para apoiar a comunidade residente na Marinha Grande, no distrito de Leiria, com a recolha e entrega de bens essenciais, bem como mão-de-obra com máquinas e motosserras para apoiar limpezas e reparações urgentes em habitações.
Sob o mote “Hoje eles, amanhã nós”, o grupo de voluntários de Tramagal apela à doação de água engarrafada, alimentos, roupa quente e cobertores, assim como lonas e telhas para quem perdeu os telhados.
A iniciativa nasce da ligação à comunidade tramagalense residente na Marinha Grande, com mais de uma centena de pessoas, mas o apoio é alargado a outras famílias afetadas.
No Entroncamento, distrito de Santarém, o município ativou o pavilhão da antiga Escola das Tílias como centro logístico de emergência, concentrando equipamentos pesados e geradores para apoiar concelhos vizinhos onde persistem falhas de energia e comunicações, num contexto em que várias instituições e grupos cívicos da região têm igualmente promovido iniciativas de recolha e envio de ajuda para as populações atingidas.
A falta de mão-de-obra e de materiais de construção para reparar os danos em telhados e coberturas tem sido um dos principais desafios para a população afetada pela situação de calamidade provocada pela tempestade na madrugada de quarta-feira, com ventos muito fortes e chuva intensa.
Outro dos problemas é a falta de geradores, uma vez que ainda há localidades que permanecem, cinco dias depois da intempérie, sem luz, água e comunicações.
Além destas necessidades, os municípios da região Centro, em particular do distrito de Leiria, continuam a disponibilizar bens alimentares não perecíveis, produtos de higiene e lonas para tapar coberturas, que têm sido angariados com a solidariedade de vários pontos do país, bem como locais para banhos quentes e para acesso à Internet.
Há postos para entrega e distribuição de bens alimentares, produtos de higiene e lonas no Pavilhão dos Pousos, em Leiria, e no Pavilhão Nery Capucho, na Marinha Grande.
Em Ourém, distrito de Santarém, o estaleiro municipal na localidade de Pinheiro é o ponto central para a receção de lonas, telhas, painel sanduíche, cimento e geradores, enquanto o Centro de Negócios é o local para entrega de alimentos e produtos de higiene, para distribuir pela população afetada.
No distrito de Castelo Branco, o município da Sertã está a recolher donativos de materiais, inclusive plásticos, lonas e telhas, para proteção e recuperação de coberturas, telhados e estruturas que tenham ficado danificadas após a passagem da tempestade Kristin, informando que esses bens podem ser entregues nos estaleiros municipais, na zona industrial do concelho.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.













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