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Anadia rejeita traçado da linha de alta velocidade

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A Assembleia Municipal de Anadia aprovou hoje uma moção de rejeição ao traçado da linha ferroviária de alta velocidade que vai atravessar o concelho, “sobrepondo-se a uma das maiores manchas vitivinícolas da região” e “aniquilando projetos enoturísticos”.

A moção que o executivo da Câmara Municipal de Anadia levou hoje à tarde à sessão de Assembleia Municipal, onde esteve a ser discutida durante aproximadamente duas horas, foi aprovada por maioria, contando com três abstenções dos eleitos do Partido Socialista (PS).

O documento, que aponta que o traçado da linha ferroviária de alta velocidade “é deveras penalizador para o concelho de Anadia”, vai agora ser enviado ao Presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministro das Infraestruturas e Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Durante a sessão da Assembleia Municipal, a presidente da Câmara Municipal de Anadia, Teresa Cardoso, partilhou a sua apreensão em relação ao traçado que diz que vai prejudicar o seu território e que terá “um impacto negativo num dos setores mais importantes da economia local”.

“Aliás, nós somos contra a linha de alta velocidade, porque entendemos que não há justificação nenhuma para gastar mais de 4.800 milhões de euros numa linha de alta velocidade, para ligar apenas o Porto a Lisboa e que para o Município de Anadia não traz rigorosamente nada”, evidenciou.

No seu entender, o “gigantesco investimento” inerente ao projeto, em termos de custo/benefício, “não acrescentará qualquer mais-valia ao desenvolvimento económico do concelho”, para além de trazer “um impacto altamente negativo” em termos paisagísticos e de ruído.

“Sinto revolta por, mais uma vez, me dizerem que procuraram que a linha de alta velocidade passasse no limite dos concelhos e veja-se que em Anadia está a fazer uma barriga imensa para criar mais uma barreira física”, sustentou.

Na moção hoje aprovada refere-se ainda que o traçado “configura uma ação de desconsideração para com a população e os empreendedores locais, bem como para o concelho”.

Na declaração de voto, o PS indicou que “o traçado previsto atualmente é de rejeitar, pois atravessa de forma impactante alguns vinhedos da zona de S. Lourencinho e áreas limítrofes, numa grande extensão, afetando um dos mais reconhecidos ex-líbris da região da Bairrada, com consequências negativas em propriedade e projetos de enoturismo do setor vitivinícola do concelho”.

No entanto, justificaram a abstenção com as vantagens que os transportes ferroviários de alta velocidade trazem ao país.

“A linha de alta velocidade, que o projeto da Infraestruturas de Portugal desenvolve atualmente, nomeadamente nos corredores de Lisboa – Porto e futuramente na ligação a Vigo, permitindo a ligação à rede europeia de alta velocidade, apresenta óbvios aspetos modernizadores da rede e vantagens competitivas para o país como um todo, baseado no transporte ferroviário, ambientalmente muito mais sustentável”, referiram.

Os socialistas destacaram ainda que “existem condições para que o executivo municipal de Anadia participe de forma construtiva, na definição de um traçado definitivo, articulando as suas legítimas dúvidas e posições com os restantes municípios da região”.

“Será essa, na nossa opinião, a melhor forma de defender os interesses do concelho, propondo um traçado alternativo que minimize os impactos negativos do traçado”, concluíram.

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