Viseu

Amarelo Silvestre a criar e a encenar há 15 anos a partir de Nelas para o Mundo

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A associação Amarelo Silvestre nasceu em Canas de Senhorim, Nelas, e, hoje, 15 anos depois, criou e encenou mais de 20 espetáculos de teatro apresentados em casa, um pouco por todo o país e além-fronteiras.

Rafaela Santos e Fernando Giestas criaram a Amarelo Silvestre em 2009, “com e por amor à arte, em especial, ao teatro”.

Ela, natural de Lisboa, tinha percurso na arte de representar. Ele, natural de Espinho (distrito de Aveiro), cresceu com a inquietude e curiosidade que o encaminharam para o jornalismo. Encontraram-se em Viseu.

O teatro apresentou-os e o amor uniu-os. Criaram raízes em Canas de Senhorim, concelho de Nelas, no distrito de Viseu, onde decidiram fazer diferente e fazer acontecer “com muita criatividade, persistência, resiliência e muita vontade”.

“Acima de tudo muita vontade e sempre a sermos, o mais possível, autênticos. Só assim faz sentido, trabalharmos pelo que acreditamos e sempre a sermos nós”, defenderam, em conversa com a agência Lusa.

Os fundadores e diretores artísticos da Amarelo Silvestre contaram que fazem “um pouco de tudo”, mas é na escrita de peças, na sua encenação e depois na interpretação que têm ocupado a maior parte do seu tempo.

“Nestes 15 anos já criámos e encenámos mais de 20 peças, mas também dedicamos tempo à formação. Atualmente, temos cerca de 20 formandos em três grupos – adultos, jovens e crianças –, já fizemos uma ou outra exposição e promovemos conversas”, como a que vai acontecer no sábado, em Canas de Senhorim.

Um encontro que serve para soprar as velas dos 15 anos, mas para colocar em diálogo a cultura e o interior, assim como para lançar o livro “A árvore não cai” escrito a três mãos: Fernando Giestas, Rafaela Santos e a jornalista Liliana Garcia.

“Criámos o ‘Movimento pelo Interior’. Hoje, ninguém escreve cartas e nós escrevemos duas páginas para darmos a conhecer o que se faz a partir daqui, de Canas de Senhorim, e, quem sabe, para criar relações. Sem qualquer expectativa de receber nada em troca, só para dizer que estamos aqui”, revelaram.

Mandaram mais de 200 missivas para “criadores, produtores e jornalistas na área da Cultura” e “algumas dessas pessoas reagiram e responderam e até vão marcar presença no sábado”, na conversa que promovem.

“Nós não somos mais do que ninguém, mas também temos o nosso valor e há mais valor fora de Lisboa e Porto, mas é preciso que as pessoas conheçam, que saibam, que vão conhecer, porque se não conhecerem não podem falar”, apontaram.

Uma falta de conhecimento que, para estes criadores, advém muito de um “certo preconceito em relação ao interior do país. Há uma espécie de rótulo de que, se fosse bom estaria em Lisboa e Porto, quando não é assim. Há muita qualidade no interior e que aqui continua porque quer”, afirmam.

“Nós estamos a 80 passos do nosso local de trabalho; em 15 minutos fazemos toda uma rotina que em Lisboa demora horas; vivemos num espaço verde, em contacto com a natureza. Ganhamos tempo para pensar, para refletir, para fazer acontecer e para não fazer nada”, contam.

E é em Canas de Senhorim que nascem criações teatrais que “regra geral são, primeiro, apresentadas na comunidade” em que vivem, depois seguem caminho. “Felizmente temos levado trabalhos ao Teatro Viriato, em Viseu, mas também feito digressões pelo país e já estivemos uma vez em Espanha e duas no Brasil. Criamos de um pequeno local para o mundo”, dizem.

E é por isso que lhes “custa entender” porque é que “muitas vezes aparece em programações e outros papéis a descrição de ‘artistas internacionais, nacionais e locais’”.

“O que é isso de um artista local? Porque é que nós somos artistas locais se fazemos para o mundo? Quem está em Lisboa ou no Porto também não é um local a fazer para o mundo? Em que é que nós somos diferentes?”, questionam.

De diferente têm a “relação de proximidade com a comunidade, que tem sobre a Amarelo Silvestre um sentimento de pertença, o que faz acrescentar a responsabilidade, e uma relação de diálogo e respeito pelo trabalho” ali realizado.

E ali já nasceram, entre outras, peças como: Mulher Mim; Sangue na Guelra; Museu da Existência; Mina; Histórias nos Becos; Engolir Sapos; Sofá em Mi Maior; Diário de uma República; Assembleia e Corpo Título.

A Amarelo Silvestre conta com o apoio da Direção-geral das Artes e já contou com coproduções do Teatro Viriato e, atualmente, conta com o Teatro Nacional Dona Maria II.

Notícias do Centro | Lusa

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