Coimbra

A descoberta fortuita de uma carta do século 17 na Biblioteca Joanina em Coimbra

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A próxima sessão do ciclo “Tesouros da BGUC”, organizada pela Liga dos Amigos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, vai apresentar a história da descoberta da carta do astrónomo jesuíta Cristóvão Borri para Dom André de Almada.

Na quarta-feira, dia 10 de maio, às 18:00, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, por iniciativa da sua Liga de Amigos (LIBUC), apresenta publicamente um dos seus tesouros: uma carta de Cristóvão Borri S.J. para Dom André de Almada, encontrada fortuitamente na Biblioteca Joanina, dentro da obra “Tabulae Frisicae lunae-solares quadruplices..” de Nicolaus Mulerius, de 1611.

Como é habitual, nas sessões “Tesouros da BGUC”, um bibliotecário fala sobre a materialidade das obras apresentadas, e um professor da Universidade de Coimbra é convidado a analisar os seus conteúdos histórico, cultural e científico. Desta vez, a investigação sobre a carta de Cristóvão Borri S.J. para Dom André de Almada foi entregue ao Dr. A. E. Maia do Amaral (BGUC) e à Prof. Carlota Simões (FCTUC). A entrada é livre mas, devido à lotação limitada do espaço, deve ser reservada previamente através do preenchimento deste https://forms.gle/iDm18jWV9KPZBCSy6 formulário, sendo validada com um envio de email por bg-eventos@bg.uc.pt

Com a aquisição de uma câmara de anoxia, em 2016, a BGUC passou a dispor de um equipamento que permite a preservação dos livros através da sua higienização evitando, por exemplo, a propagação de fungos, sem utilizar material químico. Com o procedimento de limpeza profunda de cada livro, iniciou-se a recolha de todos os “objetos” estranhos encontrados nessas obras. Desde então, a BGUC reuniu centenas de envelopes com “fragmentos de papéis, efémera vários e lixos diversos”, indica A. E. Maia do Amaral, o diretor adjunto da BGUC, responsável por esta iniciativa.

E foi no processo de limpeza de um exemplar do livro de Nicolaus Mulerius, que pertenceu à biblioteca do Colégio Real de São Paulo, que se encontrou uma folha de papel «dobrada na forma habitual de uma carta do século XVII, autógrafa em caligrafia humanística descuidada, tinta sépia em papel feito à mão, de origem francesa».

A identificação do remetente e do destinatário, a datação e o estudo do contexto da carta serão efetuados pela Prof. Carlota Simões, na sessão de dia 10 de maio, numa intervenção intitulada “Observações astronómicas e ensino de astronomia em Coimbra”.

O documento encontrado refere-se à «primeira grande reforma científica» (Banha de Andrade) em Coimbra, no século XVII. Borri, um astrónomo jesuíta milanês, deu aulas na cidade e aqui fez observações astronómicas, as quais depois publicou em livro, em Lisboa. Cristóvão Borri (ou Bruno) foi o introdutor em Portugal do sistema astronómico de Tycho Brahe, que condenava o conceito das esferas celestes rígidas. A carta dá uma imagem clara do seu empenhamento reformista e também da escassez de livros matemáticos em Coimbra.

Para a seleção das obras apresentadas neste ciclo, o conceito de tesouro não se limita aos mais raros e preciosos livros e fundos da BGUC, mas também aqueles que «falam eloquentemente de coisas que em cada momento e em cada contexto são valorizadas: em última análise, a qualidade de tesouro não está no objeto em si mas nos olhos de quem o vê e o mostra”, sustenta A. E. Maia do Amaral.  Nas sessões de “Tesouros da BGUC” já foram apresentadas obras como a “Crónica de Nuremberga”, a “Bíblia Atlântica”, a 1.ª edição de “Os Lusíadas” e o datiloscrito da “Praça da Canção” de Manuel Alegre.

A gravura da Lua vista por Cristóvão Borri, em 18 de julho de 1627, com um telescópio pertencente a Dom André Vaz de Almada, é muito provavelmente o mais antigo documento gráfico de uma observação astronómica feita em Portugal.

 

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