Coimbra

Inauguração do Mikveh abre novo capítulo na valorização da herança judaica de Coimbra

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O Mikveh de Coimbra, um dos mais relevantes achados arqueológicos associados à presença judaica em Portugal, abriu hoje ao público e deu início a um novo capítulo na valorização da herança judaica, defendeu a presidente da Câmara.

“Hoje, não estamos apenas a abrir as portas de um monumento reabilitado. Estamos a abrir um novo capítulo que respeita a memória, valoriza a diversidade do nosso passado e ousa construir uma cidade mais qualificada, dinâmica e orgulhosa”, destacou Ana Abrunhosa.

O Mikveh de Coimbra, um equipamento de ritual judaico destinado ao banho de purificação, foi descoberto em 2013 e fica localizado na rua Visconde da Luz, em pleno coração da cidade de Coimbra.

Na sua intervenção na cerimónia de inauguração do Mikveh, integrada nas comemorações do Dia Internacional dos Museus, a autarca evidenciou que este equipamento musealizado faz parte da identidade profunda e coletiva de Coimbra.

“Este espaço, que outrora foi um equipamento religioso da maior importância para a vida da comunidade judaica, volta hoje a erguer-se como uma verdadeira porta de entrada para a nossa história. Convida as atuais e as futuras gerações a reencontrar caminhos e a compreender as raízes que nos moldaram”, acrescentou.

Para Ana Abrunhosa, este projeto demonstra “como a cultura e o turismo de excelência devem trabalhar em conjunto”.

“Permitimos, a partir de hoje, a realização de um circuito que não é de massas, mas que convida à fruição do território com qualidade, com respeito e com dignidade, gerando valor enquanto reforça a nossa identidade”.

A sessão contou com a presença do diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Albano Figueiredo, que realçou a importância das parcerias e da cooperação para produzir conhecimento e gerar diálogo.

“Queremos continuar a cooperar com a Câmara de Coimbra”, apontou, aludindo ainda à continuidade do prémio a atribuir aos jovens investigadores que, no âmbito do mestrado em História, produzam conhecimento em torno da presença judaica na cidade e no concelho de Coimbra.

Já a vice-presidente da Turismo Centro de Portugal, Anabela Freitas, aproveitou para informar que, em matéria de turismo, a Região Centro de Portugal é a região do país que tem maiores vestígios e presença judaica nas tradições nacionais, parabenizando ainda o Município de Coimbra por ter passado a integrar, recentemente, a rede de Judiarias de Portugal.

“A rede precisa de um impulso maior e não podemos deixar de falar também de outros ativos que são importantes trabalharmos, nomeadamente a Casa Aristides Sousa Mendes. Esta ligação, estas pontes, esta união que os museus podem contribuir para a união da nossa região, contribuir para a união do nosso país e para a estruturação deste produto turístico”, afirmou.

Nesta ocasião foi ainda apresentada a nova plataforma digital dedicada ao Mikveh de Coimbra, bem como uma formação especializada em turismo judaico, desenvolvida em parceria com o Turismo Centro de Portugal e a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra.

As visitas ao Mikveh de Coimbra vão ter um custo de cinco euros por pessoa, sendo a entrada gratuita para crianças até aos 12 anos.

Por motivos de preservação deste relevante achado arqueológico estão previstas apenas quatro visitas diárias: duas no período da manhã e duas durante a tarde, realizadas em grupos de seis pessoas, acompanhadas por um guia.

O imóvel onde foi identificado o Mikveh foi adquirido pelo Município de Coimbra em 2020, num investimento de 240 mil euros.

Já os trabalhos de estudo, reabilitação e musealização representam um investimento global de cerca de 138 mil euros, repartido entre 2024 e 2026, comparticipado pelo programa ProMuseus, da Museus e Monumentos de Portugal.

Notícias do Centro | Lusa

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