A campanha da cereja pode voltar este ano aos valores considerados “normais”, ou seja, melhores do que nos últimos três anos, marcados por quebras acentuadas na produção, assim esperam os produtores, como avança Filipe Costa, da Cerfundão.
Este dirigente da empresa sediada no Fundão, distrito de Castelo Branco, que embala e comercializa cereja na Cova da Beira, explica à agência Lusa que, caso não se verifiquem tempestades de granizo ou chuvas fortes na região nos próximos tempos, a produção pode resistir, mas nem tudo é certo.
“As chuvas que se anunciam para estes dias, podem provocar fendilhamento nas variedades mais precoces, ou seja, estas primeiras cerejas, as que estão agora em colheita, podem ser prejudicadas”, esclarece, frisando que, se depois as condições climatéricas ajudarem, as próximas a ser colhidas já terão uma produção normal.
“Vimos de três anos consecutivos com quebras avultadas de produção, derivadas às variáveis climáticas, tanto na floração, como depois na maturação, devido ao granizo e à precipitação, porque a cereja, nesse aspeto, é um fruto extremamente perecível”, sublinha.
Mas este ano, “os vingamentos correram bastante bem, ou seja, as condições climáticas que se verificaram, quer ao nível da acumulação de frio, quer depois na altura da floração, foram bastante favoráveis”.
Filipe Costa acredita que “este ano, no que concerne à Cerfundão, perspetivamos ter quantidade suficiente para fornecer aos supermercados nacionais”.
Tendo em conta a área que a Cerfundão tem instalada, “a produção pode este ano chegar às 1.200 ou 1.300 toneladas”, diferente das “cerca de 700 toneladas, por exemplo, do ano passado, em que registamos uma quebra muito acentuada”.
Filipe Costa não descura, porém, a sabedoria popular que diz que “as contas se fazem no final da campanha”, pois “é preciso ter sempre em conta a variável meteorológica que é imprevisível”.
Certo é que no dia 18 de maio, no tradicional Leilão da Cereja, “vai haver cereja seguramente”.
O Leilão da Cereja, marca o arranque da campanha a cada ano. É feito na cidade do Fundão, na praça do Município, no qual uma caixa de cereja pode ser arrebatada por 600 euros, ou mais, como aconteceu no último ano, com uma caixa com 33 frutos.
Havendo maior quantidade, Filipe Costa concorda que os preços também podem ser mais convidativos para o consumidor, por “haver um maior equilíbrio entre a oferta e a procura”.
Contudo, “há que considerar que os custos de produção, que também têm subido significativamente, principalmente a nível da mão de obra, que subiu bastante desde o período do Covid. Mas depois temos também toda a inflação ligada ao contexto geopolítico, da rutura das cadeias de abastecimento, que afeta não só os custos da energia, dos combustíveis, como depois os fatores de produção, ao nível dos fertilizantes e dos produtos que usamos também para prevenir as doenças e as pragas da cultura”.
Para colmatar a falta de mão de obra, a Cerfundão opera com empresas de trabalho temporário, que foram as equipas, mas Filipe Costa ressalva que “até à altura do período do Covid, tínhamos quase 100% de mão de obra nacional afeta à operação da colheita”.
Neste momento, porém, “na generalidade das explorações agrícolas, a mão de obra estrangeira ronda os 80 a 90 por cento, gente que é indispensável, quer na colheita do fruto, quer na sua preparação para chegar às cadeias de abastecimento e às prateleiras dos supermercados”.










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