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Estranho corpo invade o palco e dá voz aos migrantes esquecidos

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A peça “Um Estranho Corpo Dá ao Palco” sobe à cena como uma reflexão intensa sobre a condição migrante e os limites da criação artística, cruzando teatro, dança e pensamento crítico num espetáculo que desafia o público a olhar para o “outro” para lá dos estereótipos.

Com texto e encenação de Fernando Mora Ramos, a criação coloca em palco um corpo estranho — um migrante — que irrompe num espaço que desconhece e tenta compreender. Entre a ficção e a realidade, a narrativa constrói-se como uma parábola marcada por diálogos, tensão e questionamento, dando voz a quem tantas vezes permanece anónimo.

Em cena, os intérpretes Samuel Nhamatate e Fábio Costa dão corpo a esta relação entre criador e criação. De um lado, o autor que tenta controlar a narrativa; do outro, a figura do migrante que insiste em afirmar a sua identidade — “sou eu” — recusando ser apenas mais um número ou estatística.

O espetáculo aborda temas como a fuga à guerra, à fome e à miséria, questionando a forma como estas histórias são tratadas no espaço público, muitas vezes reduzidas a números sem rosto. Ao mesmo tempo, propõe uma reflexão sobre o próprio teatro enquanto lugar de construção simbólica e confronto cultural.

Através de uma linguagem física e emocional, “Um Estranho Corpo Dá ao Palco” transforma o palco num território de descoberta, onde o desconhecido ganha voz, história e presença, desafiando o público a repensar a ideia de identidade, pertença e humanidade.

A apresentação inclui ainda um momento musical com o mestre de kora Braima Galissá, reforçando a dimensão intercultural desta proposta artística.

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