Castelo Branco

Câmara de Castelo Branco satisfeita com inclusão da barragem do Alvito no PTRR

0

O presidente da Câmara de Castelo Branco manifestou hoje satisfação com a inclusão da barragem do Alvito no Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), mas também preocupação por se tratar de um projeto a longo prazo.

“É uma boa notícia, até porque temos [Câmara de Castelo Branco] tomado posição pública sobre a importância do Alvito para toda a região. É um projeto importante, até para a regularização do caudal do rio Tejo”, afirmou à agência Lusa Leopoldo Rodrigues.

O PTRR inclui uma verba de 740 milhões de euros para a construção de novas barragens, onde se inclui o Alvito, no rio Ocreza, no distrito de Castelo Branco.

Mas, apesar da justificação de que estas infraestruturas irão aumentar os volumes disponíveis de água para usos urbano, agrícola e industrial, e responder a secas prolongadas, reduzir assimetrias regionais e criar reservas estratégicas garantindo maior estabilidade face a eventos extremos, o horizonte temporal do investimento é de longo prazo.

“Os projetos de longo prazo preocupam-nos. Já tivemos as máquinas no terreno [e o projeto não se concretizou]. Agora, só ficamos tranquilos quando isso acontecer e a obra avançar”, vincou o presidente da Câmara de Castelo Branco.

Leopoldo Rodrigues tem sido, ao longo dos anos, um dos vários defensores da construção da barragem do Alvito e disse que esta é uma boa oportunidade para garantir o abastecimento de água, não só a Castelo Branco, mas também para outros concelhos do distrito.

A história em torno da construção da barragem do Alvito dilui-se ao longo de décadas, mas, apesar do reconhecimento da sua importância por várias entidades e Governos, o projeto nunca se concretizou e foi sempre adiado.

O Programa Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Centro justificava o Alvito quer pela necessidade de reservas de água num contexto de alterações climáticas, como pelo impacto que estes investimentos teriam na minimização de riscos de cheia.

Além disso, permitiria reforçar o caudal ecológico e resiliência hídrica do Tejo, entre outros benefícios.

Ao longo dos anos, o Alvito foi também pretexto para lutas políticas e acusações mútuas entre PS e PSD, a última das quais, em 2019, no Parlamento, durante a aprovação de resoluções do CDS e PSD para a construção da barragem.

Em 2021, as Comunidades Intermunicipais (CIM) da Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Beira Baixa assinaram um documento conjunto para a construção da barragem do Alvito, no rio Ocreza, por a considerarem “um fator decisivo” para a sustentabilidade dos seus territórios.

Dois anos depois, o então ministro do Ambiente socialista afirmou que a construção da barragem do Alvito e a reutilização de águas tratadas para a agricultura eram duas soluções importantes para o reforço da resiliência hidrográfica do Tejo.

Duarte Cordeiro admitiu mesmo que o Alvito, até pelo seu posicionamento geográfico, era bastante importante.

Em 2024, O presidente da CIM da Beira Baixa, João Lobo, considerou benéfico, mas insuficiente, o acordo entre Portugal e Espanha que garante um caudal diário no rio Tejo, na sequência do acordo formalizado na 35.ª Cimeira Luso-Espanhola.

Segundo o também presidente da Câmara de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, é necessário garantir a construção da Barragem do Alvito, “no sentido de conseguir dar resposta às necessidades do rio Tejo”.

Mas a construção do Alvito tem merecido também a reprovação e a crítica dos ambientalistas, que argumentam que é uma “solução onerosa e inócua” e que “vai agravar o já precário estado ecológico” do rio Tejo.

Notícias do Centro | Lusa

Evento “Bem-Vindo Bebé” oferece formações em Coimbra para preparar pais

Notícia anterior

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados