Leiria

Cineclube de Leiria arranca no sábado para valorizar o cinema independente

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Um cineclube nasce em Leiria no sábado como resposta ao encerramento dos complexos de cinema da cidade, mas também para divulgar programação independente e promover filmes com menor circulação, anunciaram os fundadores.

O Cineclube de Leiria “era um desejo antigo” que ganhou mais premência depois do encerramento dos complexos de cinema que existiam em dois centros comerciais da cidade, explicou à agência Lusa Sal Nunkachov, que, com Edite Santos e Raquel Quintino, forma o trio de fundadores.

“Depois da tempestade, perdemos a única sala que tínhamos dedicada ao cinema, que já de si tinha cinema mais convencional”, disse, acrescentando que a intenção é apostar em alternativas ao circuito comercial de cinema.

“Estamos a querer-nos afastar do que o cinema se tem tornado – uma indústria -, afastando-nos dessa ideia de cinema de entretenimento. Queremos um cinema que obriga a ter tempo. E depois esse tempo potencia uma reflexão. É esse o objetivo principal deste tipo de trabalhos que vamos apresentar”, afirmou.

Em fase de instalação e de definição de estratégias, o novo cineclube propõe-se “divulgar um cinema com menos circulação”, seja “porque são primeiras obras, extensões de festivais menores, filmes que caíram em desuso, filmes do protocinema – de 1910, 1920, etc. – ou obras de videoarte, filmes de Super 8 caseiros”.

“Todas estas coisas não têm lugar, normalmente, nos cinemas. E essa será uma das partes que tentaremos divulgar, não somente, mas essencialmente”, avançou Sal Nunkachov, que admitiu outras linhas de programação, após perceber a motivação do público.

As primeiras sessões vão contribuir para afinar a estratégia: “Embora tenhamos um interesse próprio, estar num sítio implica perceber que dinâmicas podem ser feitas. Teremos de auscultar as pessoas, ver o que faz falta e tentar entregar algum cinema porque, lá está, ficámos sem ele”.

Sal Nunkachov considerou que “Leiria tem alguma deficiência cultural que tem de ser colmatada” e o cineclube é uma tentativa de resposta.

“Cabe à população criar uma programação independente, associando-se”.

A primeira sessão, no sábado, a partir das 21:30, acontece nas instalações da empresa Void, no Centro Comercial D. Dinis.

Além da apresentação do projeto, há performance com textos musicados e projeção de filmes de família em formato Super 8, que Sal Nunkachov tem encontrado em feiras nacionais e no estrangeiro.

“Esses filmes são muito interessantes, porque oferecem uma visão doméstica do mundo. Vemos carros que já não existem, fachadas de edifícios que não coincidem com o que vemos hoje nas cidades, o próprio modo de vida. Há uma certa dose de antropologia e sociologia, política, inclusive, que se podem observar nessas coisas, que são muito interessantes”, descreveu.

Algumas das películas remetem para o 25 de Abril e revelam “uma visão caseira” da revolução, “fora da visão dos fotógrafos, quase sempre profissionais”.

Em Leiria, o Cineclube terá sessões quinzenais, mas também vai circular pelo país.

No dia 24 de abril leva os filmes Super 8 à Barraca, em Lisboa, e também há outras colaborações previstas com cineclubes de Braga e das Caldas da Rainha.

Notícias do Centro | Lusa

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