Meia centena de feirantes estavam concentrados pelas 08:30 de hoje nas imediações da Câmara de Leiria e acusaram a autarquia de estarem impedidos de trabalhar desde o dia 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu o concelho.
À agência Lusa, a presidente da Associação de Feirantes, Feiras e Mercados da Região Centro, Vânia Santos, explicou que os feirantes trabalham nas feiras do Levante de Leiria, junto ao Estádio Municipal de Leiria, e na Praia do Pedrógão, mas estão impedidos de o fazer, primeiro até 28 de fevereiro, agora até 15 de março.
“O nosso espaço na Feira de Levante de Leiria está liberto, ou seja, o lugar da feira não tem qualquer detrito que impeça o bom funcionamento da feira”, assegurou Vânia Santos, referindo que os feirantes vão reclamar porque só querem trabalhar.
Esta dirigente adiantou que se trata de “duas feiras semanais, terças e sábados [Leiria]”, e Praia do Pedrógão [domingo à tarde]”.
“Estamos impedidos de trabalhar”, frisou, esclarecendo que está marcada uma reunião hoje de manhã, na qual vai estar também a Federação Nacional das Associações de Feirantes, nos Paços do Concelho, com o objetivo de recomeçar o trabalho já no sábado.
Vânia Santos afirmou que a Feira de Leiria “tem cerca de 200 feirantes e a Feira do Pedrógão 50”, e considerou que os prejuízos são imensos.
“No meu caso, tenho cinco feiras semanais. Neste momento, estou só a fazer duas, ou seja, 60% estou parada, só trabalho 40%”, declarou, para garantir que “dezenas de feirantes” estão nas mesmas circunstâncias”.
A dirigente da associação salientou que os feirantes estão apenas a “pedir para trabalhar” e para “arranjarem soluções”, porque, para já, em Leiria, o espaço dos feirantes está disponível.
“Por isso, não há nada que nos impeça de trabalhar e no Pedrógão é a mesma coisa. Com esta Câmara, tem sido sempre assim, somos sempre postos de lado. Quando há futebol ou suspendem a feira, ou mandam-nos para um lugar alternativo, mas que também não tem condições, quando há as festas é igual”, sustentou, defendendo a necessidade de arranjar “um rumo para os feirantes de Leiria”.
De acordo com Vânia Santos, a maioria dos feirantes são da região, de “Ourém, Fátima, Marinha Grande, Pombal, ou seja, a zona à volta de Leiria e de Leiria também”.
A reunião na Câmara está prevista começar às 09:30, com a associação a esperar que os feirantes possam “começar já a trabalhar”.
A Lusa contactou o município, que confirmou a reunião àquela hora, remetendo esclarecimentos após o final daquela.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.












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